Projeto de lei de orçamento dos EUA foi aprovado na Câmara de Representantes
22 de mai. de 2025, 15:35
— Lusa/AO Online
O
projeto de lei segue agora para o Senado, onde os republicanos já
sinalizaram a sua intenção de fazer alterações significativas, mantendo a
incerteza sobre o destino final deste documento emblemático para o
Presidente norte-americano.O presidente
republicano da Câmara de Representantes, Mike Johnson, fez uma enorme
pressão para que os congressistas aprovassem este "grande e belo projeto
de lei", como Donald Trump lhe chamou, o mais rapidamente possível. Johnson
tinha agendado uma votação a meio da noite em Washington, e a câmara
baixa do Congresso, com maioria republicana, aprovou finalmente a
proposta às primeiras horas da madrugada por uma margem estreita de 215
votos a favor e 214 contra — incluindo dois republicanos.Para
Donald Trump, a questão principal deste orçamento é a extensão dos
avultados créditos fiscais do seu primeiro mandato, que expiram no final
deste ano.De acordo com vários analistas
independentes, a sua extensão poderá aumentar o défice do governo
federal em dois a quatro biliões de dólares na próxima década.O
projeto de lei apela também à eliminação do imposto sobre as gorjetas -
uma promessa de campanha republicana num país onde muitos trabalhadores
dependem delas como principal fonte de rendimento.Para
compensar parcialmente o défice crescente, os republicanos planeiam
cortes significativos em certas despesas públicas, incluindo o Medicaid -
o seguro de saúde do qual dependem mais de 70 milhões de
norte-americanos com baixos rendimentos.O maior programa público de assistência alimentar também deverá ser severamente afetado.Em
contrapartida, vários analistas consideram que o projeto de lei aumente
o rendimento dos 10% das famílias mais ricas, enquanto os 10% das
famílias mais pobres verão os seus rendimentos diminuírem.O
projeto de lei apela também à redução ou mesmo à eliminação total de
muitos incentivos fiscais para as energias renováveis adotados pelo
Governo do ex-presidente Joe Biden.Os
democratas opuseram-se ao projeto de lei, muitos deles denunciando-o
como um "golpe fiscal" que beneficia os cidadãos mais ricos.Também
alguns congressistas republicanos moderados temem que os cortes
excessivos nestes programas públicos possam representar um risco
eleitoral demasiado grande, um ano e meio antes das eleições
intercalares.Mas foram sobretudo os
congressistas ultraconservadores, defensores da redução da dívida
pública, que se mostraram preocupados com os números colossais da
"grande e bela lei" e ameaçaram votar contra ela."A
minha preocupação com o défice e a dívida é enorme", disse o
congressista texano Keith Self, antevendo um agravamento significativo
das contas públicas.Contudo, depois de obterem algumas concessões, a maioria desses congressistas mais radicais uniu-se em torno do texto final.Donald
Trump investiu pessoalmente na tarefa de os convencer, deslocando-se ao
Capitólio para se encontrar com alguns deles e recebendo outros na Casa
Branca, ao longo do dia de quarta-feira.