Projeto da Universidade de Coimbra aposta na valorização do sargaço
7 de mar. de 2022, 11:20
— Lusa/AO Online
O
sargaço é a designação dada na “costa litoral norte à mistura de
diferentes algas” que crescem nas plataformas rochosas e que com o
movimento das ondas se depositam à beira-mar.A
Universidade de Coimbra (UC) referiu que o projeto “ValSar: Valorização
do Sargaço da Costa Litoral Norte” é financiado pelo Fundo Europeu dos
Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP), através do MAR2020, e é
realizado com a colaboração da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC)
e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental
(CIIMAR), com o apoio dos municípios de Vila do Conde e da Póvoa do
Varzim, do distrito do Porto.Trata-se de
um projeto que propõe desenvolver novos biofertilizantes e
bioestimulantes para aplicação na agricultura, assim como avaliar a
potencial aplicação de compostos bioativos do sargaço no setor
farmacêutico e de cosmética.A ideia é identificar oportunidades de negócio que permitam promover o desenvolvimento local.O
processo passa por três fases: caracterização do sargaço, o estudo,
seleção e ensaios com os compostos extraídos do sargaço, e, por fim, a
disseminação do conhecimento produzido, não só junto da comunidade
científica e do público em geral, como também junto de investidores.“Queremos
valorizar este conjunto de algas que abundam na nossa plataforma
continental e que estão subaproveitadas. O sargaço é uma mistura
orgânica muito rica, quer em termos de compostos minerais, quer em
termos de compostos bioquímicos”, disse, citada na nota de imprensa, a
investigadora e coordenadora do projeto, Cristina Rocha.A
equipa começou por caracterizar sazonalmente a diversidade, quantidade e
composição química e bioquímica da mistura de algas e foi possível
“identificar os diferentes compostos bioativos do sargaço e selecionar
os mais promissores para os produtos que se pretendem desenvolver, isto
é, para a valorização que se propõe”, explicou.Com base nesta informação, os investigadores vão agora avançar para a preparação dos extratos.O
projeto aposta no desenvolvimento de um substrato corretivo
fertilizante, misturando o sargaço com “resíduos sólidos urbanos para
tentar obter um composto mais rico, que potencie melhor o crescimento
das culturas”, acrescentou.Estes
fertilizantes e bioestimulantes vão depois ser testados num conjunto de
culturas de interesse económico para a região Litoral Norte.Simultaneamente, a equipa vai explorar a outra linha de produtos dirigida ao setor farmacêutico e de cosmética.Sabendo-se
que as algas possuem muitos compostos bioativos, “com diferentes
atividades biológicas, como, por exemplo, antivirais, antibacterianas,
antifúngicas e antitumorais, vai-se preparar extratos e testar os
compostos bioativos desses extratos em ensaios de exposição de células
do sistema imunitário e em linhas celulares que representam a pele – a
epiderme e a derme”, detalhou.O Valsar já
tem um ano e apresenta “um elevado interesse coletivo, uma vez que visa
promover a valorização de uma atividade económico-social e de um recurso
natural da região Litoral Norte, centrando-se na inovação de produtos e
biotecnologia e criando condições para o empreendedorismo”, concluiu
Cristina Rocha.