Projeto criado nos Açores quer ajudar pescadores a monitorizar aparelhos de pesca a partir do telemóvel
14 de jul. de 2022, 10:37
— Lusa/AO Online
“Nós
sabemos que cerca de 10% das redes de pesca são perdidas no mar. O
projeto tem uma contribuição enorme. Tem um impacto ambiental, pela
recuperação da rede, o que permite minimizar o plástico no mar”,
afirmou, em declarações aos jornalistas, Nuno Cota, proprietário da
empresa Solvit, líder do consórcio do projeto Custodian.O
empresário falava, em Angra do Heroísmo, à margem das comemorações do
segundo aniversário da inauguração do Parque de Ciência e Tecnologia da
Ilha Terceira (Terinov), onde a empresa, criada há seis anos, se
instalou.A Solvit lidera um consórcio que
integra o Terinov, mas também o Air Centre, sedeado no parque, a empresa
Lotaçor, que gere as lotas dos Açores, o Instituto Superior de
Engenharia de Lisboa (ISEL), a Docapesca, a UAVision e a Universidade
Técnica Nacional da Noruega.O projeto é
financiado pelo fundo europeu EEA Grants, com verbas da Noruega,
Finlândia, Islândia, e tem disponível um montante de cerca de 900 mil
euros, para implementar um sistema de monitorização em 18 meses.“O
projeto consiste em que desenvolver uma infraestrutura, não é só um
dispositivo, é uma infraestrutura, que, além de permitir fazer a
monitorização das boias dos pescadores, permite também fazer a deteção
da perda de redes de pesca ou de outras artes de pesca”, explicou Nuno
Cota, referindo como exemplo os cofres e gaiolas para apanha de marisco e
polvos.O consórcio pretende criar uma
rede de comunicações, totalmente autónoma, sem custos de operação, para
“desenvolver dispositivos de baixo custo, muito simples, para poderem
ser usados pelos pescadores e armadores”.O
dispositivo vai permitir “monitorizar permanentemente” os aparelhos de
pesca e alertar os pescadores numa “situação de desprendimento das
redes”, para que possam ser recuperadas.“Os
pescadores terão ao seu dispor um dispositivo que todos eles já usam
hoje em dia, que é um telemóvel e, com base no telemóvel, conseguirão
chegar onde têm as redes. O telemóvel vai apresentar um mapa, com uma
interface muito simples, e conseguem localizar as suas boias, localizar
as redes perdidas e ser informados de todo o estado das suas artes de
pesca”, explicou o proprietário da Solvit.Para além do impacto ambiental, o projeto tem também um impacto económico para os pescadores, segundo Nuno Cota.“Essa
redução das artes de pesca perdidas permite aumentar o rendimento das
pescas e aumentar o lucro que existe nas pescas e, portanto, reduzir
basicamente o custo operacional de uma infraestrutura de pesca”,
salientou.A ideia foi “muito bem recebida”
pelos pescadores dos Açores, que identificaram a necessidade de um
sistema de monitorização dos aparelhos de pesca, que tivesse um custo
acessível.“O nosso objetivo é que cada um
desses dispositivos ande entre os 30 e os 40 euros, porque só assim se
torna atrativo para um pescador de pequena dimensão”, frisou o
empresário.O Custodian arrancou no dia 01 de julho e o consórcio estima ter a infraestrutura a funcionar “no final de 2023”.Os
projetos-piloto vão começar nos Açores, mas o objetivo é expandir o
sistema para outras partes do mundo e já há interesse no continente
português e na Noruega.“Temos os parceiros
noruegueses que também estão interessados em haja um piloto na Noruega e
que se possa expandir para o resto da Europa, em tudo quanto sejam
países que tenham atividade piscatória, que têm os mesmos problemas que
nós temos nós”, adiantou Nuno Cota.