Projeto científico de alunos açorianos vai ao espaço

Hoje 09:32 — Nuno Martins Neves

Quando se olha para o Espaço, é difícil não se sentir, ao mesmo tempo, curiosidade e receio. Mas, como escreveu Fernando Pessoa, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. E no caso do Clube de Astronomia, Geocaching e Multimédia da Escola Secundária da Lagoa (ESL), poucas dúvidas há que a alma dos seus professores e alunos é enorme. Já foram muitos os projetos que nos últimos anos encurtaram a distância entre o concelho da Lagoa e as estrelas - a última das quais, colocou vários alunos da ESL a falar com os astronautas da Estação Espacial Internacional. Agora, não é a sua voz que vai subir ao espaço, mas sim as suas ideias.O projeto foi presentado, durante Semana Mundial do Espaço, que decorre na ESL sob o tema “Espaço e Alterações Climáticas”. Juntamente com um grupo de alunos de Robótica da Escola Básica eSecundária da Madalena do Pico, os estudantes da escola lagoense (todos do secundário, mais um aluno do 9º que revelou muito interesse em participar) vão preparar uma experiência científica que vai ser colocada a bordo de um foguetão suborbital, com lançamento previsto para outubro de 2027, primeiro trimestre de 2028 o mais tardar.O projeto, “o mais ambicioso e também o mais assustador”, nas palavras do professor Luís Machado, cara do Clube, terá o condão de entrar para a história como o primeiro objeto integralmente construído nos Açores a ser enviado para o Espaço.“O que vamos fazer é construir uma experiência científica, sobre os extremófilos [n.d.r. organismos que sobrevivem em condições físicas, geológicas ou químicas extremas], que vai ao espaço num voo suborbital. A Academia Internacional do Espaço, organismo que nos fez o convite para este projeto, decidirá se a descolagem será no Cabo Canaveral, na Flórida; ou na Califórnia, a bordo de um foguetão ou da SpaceX ou da BlueOrigin. Quando o foguetão voltar à Terra, amarará ao largo da Flórida e voltará aos Açores para compararmos a amostra que foi com a amostra que ficou. Será um marco para os Açores”, explica o docente.Até dezembro, os alunos açorianos têm de ter concluída a experiência teórica, seguindo-se, até maio, a experiência física, sendo que no início do próximo ano letivo, alguns alunos selecionados vão até aos Estados Unidos da América entregar em mão o projeto.Uma tarefa “que muito no honra”, diz o docente, mas também hercúlea, não haja dúvida, e que obrigará a um grande número de parcerias, desde o Centro de Biotecnologia da Universidade dos Açores, o Observatório Astronómico de Santana e o Centro de Qualificações dos Açores.Orçado em perto de 50 mil euros, o projeto precisa de apoios, contando já com a participação das câmaras municipais da Lagoa e Madalena do Pico, havendo, igualmente, financiamento do Governo Regional dos Açores e de diversos grupos económicos privados, como o Grupo Bensaude, o Grupo Finançor e o Grupo Martins Mota.Aliás, a caixa que envolverá a experiência levará o nome de Luís Alberto Martins Mota, figura incontornável do concelho da Lagoa, onde foi presidente da Câmara Municipal da Lagoa entre 1990 e 2005.