Proinfância ajuda a melhorar notas de alunos de Ponta Delgada
Hoje 11:25
— Nuno Martins Neves
Uma mochila com material básico escolar, é a parte mais visível do Proinfância. Mas o programa da Fundação La Caixa de combate à pobreza infantil e exclusão social vai mais longe que isso, oferecendo reforço educativo e apoio psicoterapêutico, como por exemplo acompanhamento psicológico e terapia da fala, atividades de tempos livres e workshops dirigidos às famílias. A rede procura, ainda, responder a necessidades básicas, como alimentação e higiene infantil, material escolar ou produtos específicos, entre os quais óculos e aparelhos auditivos.Foi este tipo de apoio que chegou até às 36 famílias de Ponta Delgada que o Proinfância apoiou no ano letivo 2025/2026, segundo os dados fornecidos pelo programa ao jornal Açoriano Oriental. Ao todo, 48 crianças e jovens do mais populoso concelho dos Açores encararam as aulas de outra forma.Em Ponta Delgada, único concelho do arquipélago que aderiu ao Proinfância e um dos 14 a nível nacional, o programa conta com a participação de diversas entidades: a Associação de Promoção de Públicos Jovens (APPJ), entidade coordenadora nos Açores; a Cresaçor, na promoção de campos de férias; o Centro de Terapia Familiar e Intervenção Sistémica, no acompanhamento; “e as casas do povo de Santo António e das Capelas, na sua implementação, ao nível do reforço educativo e tempos livres.Cristina Alves, técnica da APPJ, destaca o crescimento “positivo” do Proinfância na Região, apesar de, atualmente, estar limitado geograficamente à costa norte do concelho de Ponta Delgada, uma intervenção balizada entre os Fenais da Luz e o João Bom. O Proinfância abrange crianças desde o seu nascimento até aos 18 anos, o que “permite um acompanhamento transversal e longitudinal à família. Com tempo, este investimento traz resultados”, assinala Cristina Alves.“O programa constitui uma mais-valia na medida em que incide na questão da educação e ocupação de tempos de livres, para a educação ser, realmente, um elevador social”, assinala. Para sustentar isto, dá conta da melhoria registada no desempenho académico das crianças e jovens apoiados pelo programa, em que, cerca de 90%, melhorou o sucesso escolar.A técnica da APPJ destaca o aspeto do programa permitir uma comparticipação económica direta ao nível das famílias, na aquisição de bens muito precisos, como material escolar, aparelhos auditivos e óculos, o que “acaba por ser fundamental e ter uma influencia direta” no desempenho dos alunos. “Os óculos, por exemplo, são algo muito evidente que pode melhorar o processo educativo”, reforça.Nos desafios assinalados desde que o Proinfância arrancou em Ponta Delgada, no ano letivo 2022/23, Cristina Alves aponta a dispersão geográfica, a falta de recursos humanos para chegar a mais alunos, bem como os critérios que acabam por ser limitadores: “o principal critério é económico, o que é um entrave para abranger famílias que sabíamos que podiam beneficiar do programa”.O futuro já está a ser desenhado e passa por expandir a rede à freguesia dos Arrifes, já neste ano letivo. “Estamos a fazer um esforço para alargar o programa a outros territórios e estamos nesta fase a fazer a avaliação das famílias dos Arrifes para que possamos iniciar a 1 de outubro com agregados da EBI Arrifes. Temos essa pretensão e objetivo e pensamos conseguir operacionalizar”, assinala.Segundo os dados da Fundação La Caixa, em 2026/2027, o apoio chegará a mais de 1.400 crianças e jovens em situação de vulnerabilidade a nível nacional.Em Portugal, uma em cada cinco crianças encontra-se em risco de pobreza ou exclusão social. Neste contexto, fatores como dificuldades de aprendizagem, questões relacionadas com o bem-estar emocional ou a falta de recursos materiais podem condicionar o percurso educativo e o desenvolvimento pessoal de crianças e jovens.