Programa bilateral quer "revitalizar e recuperar" aldeias na fronteira
Cimeira ibérica
14 de mar. de 2023, 08:36
— Lusa/AO Online
"A
ideia é revitalizar, recuperar vida nestas aldeias, algumas que estão
praticamente abandonadas e outras que perderam grande parte da sua
população e da sua atividade", afirmou Ana Abrunhosa.Segundo
a ministra, o objetivo do programa é "trazer investimento empresarial,
inovador e competitivo, para estas aldeias", "projetos inovadores que
criem emprego", e levar para esses locais atividades "que normalmente é
mais habitual ver noutras geografias". Ana
Abrunhosa defendeu que o crescimento do teletrabalho, por exemplo,
criou oportunidades de ter nestas aldeias "atividade económica que
normalmente elas não teriam", mas é preciso criar "as condições
tecnológicas" e outras para isso se concretizar e estes puderem ser
"territórios competitivos para além da agricultura, da pecuária ou da
agroindústria", numa "diversificação da base económica e social"
tradicional.Essas condições passam por
novas infraestruturas de telecomunicações, pela garantia de ligações a
pequenos centros urbanos ou pela recuperação de património, segundo
explicou a ministra da Coesão Territorial. Está
em causa "revitalizar casas para as pessoas viveram" e "património para
empresas se instalarem, para espaços de 'coworking', para empresas ou
associações darem formação " ou "recuperar património para projetos
culturais entre ambas as fronteiras", afirmou.A
ministra insistiu em que se trata de "revitalizar património, mas o
património que é necessário para atrair nova atividade económica",
valorizando o potencial de cada território, "mas agora com mais
conhecimento e com tecnologia".Ana
Abrunhosa adiantou que os detalhes do programa serão apresentados em
breve em Penha Garcia, uma freguesia de Idanha-a-Nova, no distrito de
Castelo Branco, e uma das aldeias já selecionadas para integrar o
projeto.Tanto Portugal como Espanha já
identificaram várias aldeias para este programa, disse a ministra, que
acrescentou que o financiamento passará também por fundos europeus.Os
projetos serão diferentes para cada aldeia, porque se trata de
valorizar as potencialidades de cada local, para "reter e captar talento
nestes territórios que hoje estão a ser muito procurados, não só pelos
nómadas digitais, mas por outras empresas que consideram estes
territórios mais atrativos para desenvolverem as suas atividades",
segundo a ministra da Coesão Territorial.Ana
Abrunhosa acrescentou que "são projetos que não podem envolver só os
municípios" e contarão com uma "multiplicidade de parceiros".O
programa enquadra-se dentro da estratégia de desenvolvimento nas
regiões de fronteira anunciada por Portugal e Espanha em 2020, na
cimeira ibérica da Guarda.Na cimeira deste
ano, que arranca hoje em Lanzarote, e dentro da mesma estratégia
transfronteiriça, Portugal e Espanha vão ainda assinar um acordo para
criar o "campus rural transfronteiriço", que permitirá a estudantes do
ensino superior dos dois países fazer estágios e trabalhos de
investigação em territórios rurais e despovoados.Segundo
Ana Abrunhosa, neste caso, o objetivo é que os estudantes "conheçam
melhor essas realidades", sendo esta uma forma de "lutar contra
preconceitos e perceções erradas sobre os territórios do interior e
transfronteiriços", mas que também se estudem essas zonas e regiões com
trabalhos académicos.A 34.ª cimeira entre Portugal e Espanha decorre hoje e na quarta-feira em Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias.Desde
que foi anunciada em 2020, a Estratégia Comum de Desenvolvimento
Transfronteiriço de Portugal e Espanha tem sido protagonista dos acordos
saídos das cimeiras bilaterais.A
estratégia abrange 1.551 freguesias, cerca de metade das freguesias
portuguesas, e abarca uma área correspondente a 62% do território
nacional.Do lado espanhol, inclui 1.231 municípios, correspondentes a 17% da superfície de Espanha.Portugal
e Espanha partilham a maior fronteira terrestre da União Europeia, um
território marcado, na sua maioria, pelo despovoamento.