Profissional de saúde mental alerta para falta de psiquiatras nos Açores
22 de abr. de 2025, 15:53
— Lusa/AO Online
“Toda a região está carenciada
de médicos psiquiatras. Já não digo só psiquiatras. Mesmo ao nível de
enfermagem, ao nível das equipas multidisciplinares, os psicólogos, tudo
isso são precisos numa assistência psiquiátrica, que seja holística”,
defendeu o médico, numa audição na Comissão de Assuntos Sociais do
parlamento açoriano, reunida em Ponta Delgada.Luís
Melo foi ouvido pelos deputados a propósito de uma proposta do deputado
único do PAN, Pedro Neves, que defende a criação de uma estratégia de
prevenção e combate ao suicídio no arquipélago, atendendo ao elevado
índice de casos nas ilhas.“Urge combater
os números avassaladores da taxa de suicídio da região. Temos de criar
uma estratégia eficaz para a prevenção ao suicídio. É fulcral uma
sociedade compassiva com as problemáticas de saúde mental e respetivas
consequências, para travar este fenómeno”, justifica o partido, no
projeto de resolução entregue na Assembleia Legislativa dos Açores.Além
de uma nova estratégica na prevenção do suicídio, o PAN/Açores defende
também um aumento do número de profissionais de saúde mental afetos ao
Serviço Regional de Saúde (SRS), por entender ser necessária uma
intervenção “mais abrangente e musculada”, que garanta medidas de
combate e prevenção “mais eficazes”.O
diretor clínico da Casa de Saúde de São Rafael defendeu um “reforço” dos
profissionais de saúde mental nos Açores e admitiu que, com os atuais
meios humanos que existem na região, “é difícil” assegurar uma prevenção
adequada em matéria de suicídio.“É
difícil dar uma resposta nestas situações de prevenção do suicídio em
que, muitas vezes, as respostas têm de ser muito breves e os apoios têm
de ser criados de uma forma muito precoce, para que não suceda aquilo
que tem vindo a suceder nas ilhas, em que a percentagem de suicídios é
bastante elevada”, advertiu.Segundo Luís
Melo, apenas a ilha de São Miguel terá uma
“melhor” cobertura de profissionais de saúde mental, em comparação com
as restantes ilhas, adiantando que nas ilhas sem hospital, as respostas
clínicas são dadas “à distância”, devido à ausência de médicos
psiquiatras.Para este responsável, é
necessário um reforço de incentivos à fixação de mais profissionais de
saúde mental nos Açores, mas também mais informação sobre as condições
das acessibilidades aéreas entre o continente e o arquipélago, situação
que considerou ser determinante para a escolha dos novos psiquiatras que
saem das faculdades.A secretária regional
da Saúde e da Segurança Social, Mónica Seidi, que já tinha sido ouvido
numa outra audição parlamentar, em janeiro, recordou que o executivo
açoriano de coligação (PSD, CDS-PP e PPM), contratou, nos últimos dois
anos, “vinte novos psicólogos” para as unidades de saúde da região.“Os
Açores estão a viver um novo paradigma, em matéria de prevenção e
combate ao suicídio. Há todo um caminho que, naturalmente, terá de ser
feito, que tem de ser melhorado, mas seria de bom-tom recordar que há
aqui uma mudança clara de paradigma, que terá de ser mantida e, nalguns
casos, melhorada”, admitiu a governante.Um
estudo divulgado em 2023, elaborado pelo psiquiatra João Mendes Coelho,
sobre a caracterização da população suicida, entre os anos 2001 e 2021,
revela um aumento do número de casos de suicídio nos Açores, em
contraciclo com a redução registada no resto do território nacional.“Para
o conjunto do país temos 8,9 mortes por suicídio, por 100 mil
habitantes. Aqui na região temos 14,7 e, especificamente para São
Miguel, estamos com 16,4, ou seja, quase o dobro da taxa do país”,
revelou, na altura, o psiquiatra.