Profissionais de saúde do Santa Maria exaustos mas com "sentido de missão"

Covid-19

10 de dez. de 2020, 11:24 — Lusa/AO Online

“Houve, durante este período, inúmeros profissionais que deram tudo de si, até aos limites. As pessoas fazem-no sem lamentações e queixas, mas sabemos que estão exaustos e cansados do período em que têm estado sob grande pressão. Isso é um sinal de que consideram que o seu trabalho está imbuído de um forte sentido de missão”, afirmou Daniel Ferro.O administrador hospitalar falava num ‘webinar’ promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, integrado na comemoração do 66.ºaniversário do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.Segundo Daniel Ferro, os resultados obtidos no combate à pandemia neste hospital devem-se, “em primeiro lugar, ao enorme profissionalismo das pessoas que integram este centro” hospitalar.“Os nossos colaboradores gostam de fazer as coisas bem e esta pandemia obrigou-nos a fazer as coisas bem”, referiu Daniel Ferro, salientando que a pandemia fez com que se reforçasse a “partilha intensa do conhecimento” e o trabalho de equipa que “vai ficar para o futuro”.Para o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto, a pandemia da covid-19 constitui um “desafio enorme” também nesta área de ensino, tendo em conta que foi necessário proceder à interrupção das aulas presenciais.“É um facto que, em 24 horas, foi montado um sistema de aulas remotas que permitiu manter algum tipo de formação nos vários anos do curso”, disse o médico Fausto Pinto, para quem estava em causa a necessidade de não “comprometer a formação de toda uma geração, daqueles que vão ser os futuros médicos”. Neste debate participou também a presidente do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM), Maria do Carmo Fonseca, que realçou que a covid-19 colocou em evidência o trabalho de investigação científica na área clínica.“Foi muito óbvio, com esta pandemia, que temos de ser capazes de inovar. A inovação é um produto de um grande investimento, de um grande trabalho silencioso. De repente e quando é necessário, a sociedade vira-se para os cientistas e pede uma resposta. Os cientistas só podem responder se, de facto, tiveram tido anos árduos de trabalho”, disse.