Profissionais da Cultura contestam abandono junto ao parlamento com flores e um caixão
21 de abr. de 2021, 11:48
— Lusa/AO Online
"Não
estamos completamente mortos, ainda podemos acordar. Mas estamos numa
situação muito complicada", disse Joana Saraiva, audiodescritora e
atriz, à agência Lusa. "Estamos muito cansados e estamos a dizer as
mesmas coisas há muito tempo".O protesto, em forma de velório, começou às 10h00 e estender-se-á até às 17h00, em várias cidades do continente e ilhas. Em
Lisboa, ao fundo da escadaria da Assembleia da República, foi colocado
um caixão branco, com uma coroa de flores e uma faixa onde se lê "Aqui
jazem profissionais da Cultura, Artes e Eventos". Junto
ao caixão, vestidos de preto, estiveram, no começo deste protesto, seis
profissionais da Cultura, que fazem parte do grupo informal Vigília
Cultura e Artes, surgido já em contexto de pandemia. O
velório simbólico é por "todos aqueles que foram deixados ao abandono
durante o último ano, todos aqueles que desistiram. Houve muita gente
que neste ano teve de fazer muita coisa. Alguns deles nem sequer
voltarão [às artes]", disse Joana Saraiva. A
atriz e professora de teatro conta que também ela recorreu aos apoios
sociais extraordinários, em janeiro, e ainda está a aguardar resposta. "São
apoios à sobrevivência. Não estamos a pedir subsídios. Estamos a pedir
um apoio à sobrevivência, extraordinário, para um tempo extraordinário.
Temos carreira contributiva e nos momentos em que somos impedidos de
trabalhar, seria expectável que houvesse um apoio universal e não cheio
de cláusulas de exclusão que deixa de fora a maioria das pessoas",
lamentou. Das medidas políticas pensadas a
longo prazo, que já deveriam estar em marcha, Joana Saraiva citou o
estatuto do profissional e o mapeamento do setor. "O
mapeamento do setor é vital, porque é muito complexo, muito precário e
muito pouco regulamentado. Estamos muito cansados e estamos a dizer as
mesmas coisas há muito tempo", afirmou.