Professores regressam à greve, sob ameaça de perda de remuneração
29 de out. de 2018, 10:00
— Lusa/AO Online
A
greve devia ter começado a 15 de outubro, mas depois das dúvidas de
legalidade levantadas pelo Ministério da Educação (ME) e da contestação
ao pré-aviso de greve entregue pelos sindicatos, os professores
decidiram adiar o arranque da nova greve para hoje, tendo entregue novos
pré-avisos, mais claros sobre as atividades abrangidas pela
paralisação, tal como exigia a tutela. “Com
esta greve, os professores contestam a decisão unilateral do governo de
eliminar mais de seis anos e meio da sua vida profissional para efeitos
de carreira, bem como todas as ilegalidades impostas no âmbito do
horário de trabalho, obrigando-os a cumprir mais horas de trabalho do
que as estabelecidas em lei, o que viola o limite de 35 horas semanais.
Para os professores, é intolerável que o mesmo governo que elimina anos
de trabalho aos professores imponha, em cada ano, horários que o agravam
em 30%”, justificavam os professores em comunicado enviado no dia em
que os novos pré-avisos, diários, foram entregues. Na sexta-feira, no último dia útil antes da greve, o ME voltou a contestar a argumentação dos sindicatos.O
ME entende que não existem horários ilegais para os professores, como
alegam os sindicatos, pelo que a greve que se inicia na segunda-feira
pode ter como consequência a perda de remuneração.A
greve, convocada pelas dez estruturas sindicais unidas em plataforma
para reivindicar junto do Governo a contagem integral dos nove anos,
quatro meses e dois dias de tempo de serviço congelado, abrange reuniões
de avaliação intercalar dos alunos, caso as atividades da escola não
sejam interrompidas para o efeito, reuniões de conselho pedagógico,
conselho de departamento, conselho de docentes, conselho de turma e
reuniões que não se encontrem previstas no horário de trabalho dos
docentes.Incide
ainda sobre ações de formação dos professores e o trabalho de
coadjuvação e apoio a alunos, sempre que estas atividades com alunos não
se encontrem na componente letiva do horário. É, sobretudo, a possibilidade de o apoio aos alunos ficar comprometido que preocupa os diretores escolares.Filinto
Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas
Públicas (ANDAEP), teme um “claro prejuízo” para os alunos se a greve
tiver uma forte adesão, considerando que “é o apoio individualizado que
está em perigo”.O
presidente da ANDAEP não antecipa previsões de adesão, mas admite que o
fator cansaço, depois de uma longa greve às avaliações no final do ano
letivo anterior, entre junho e julho, pode levar a que muitos
professores não adiram à greve.Para já a greve tem pré-avisos diários entregues até 16 de novembro, e a cada segunda-feira serão entregues novos.A
greve será para já acompanhada de contestação nas ruas e pressão junto
dos grupos parlamentares para obter respostas às reivindicações dos
docentes, pelo menos até à aprovação da versão final do Orçamento do
Estado para 2019.Os
professores já prometeram “não baixar os braços” e recusam aceitar que a
decisão do Governo de avançar de forma unilateral – depois de falhadas
as negociações com os sindicatos - com a recuperação de apenas dois
anos, nove meses e 18 dias de tempo congelado seja a solução a adotar.À
espera da promulgação, ou não, do decreto do Governo pelo Presidente da
República (PR), os professores esperam também poder contar com o
parlamento.Caso
receba o aval do PR, o decreto poderá ser depois alvo de apreciação
parlamentar, algo que os partidos já admitiram estar dispostos a pedir,
tendo o Bloco de Esquerda garantido que a vai requerer se o diploma for
promulgado.