Professores querem "acordo histórico" sobre tempo de serviço a 6 de junho
3 de mai. de 2023, 19:38
— Lusa/AO Online
"O dia vai
ter história, mas nós gostaríamos que fosse aproveitado para resolver
este problema", disse Mário Nogueira, em representação da plataforma que
junta nove organizações sindicais, incluindo também a Federação
Nacional da Educação.O líder da Fenprof
falava aos jornalistas no final de um protesto que juntou cerca de meia
centena de professores em frente à Assembleia da República, onde se
ouviu o discurso proferido há precisamente quatro anos pelo
primeiro-ministro, numa declaração ao país."Ao
Governo cumpre garantir a confiança dos portugueses nos compromissos
que assumimos e a credibilidade externa do país. Nestas condições,
entendi ser meu dever de lealdade institucional informar o Presidente da
República e o presidente da Assembleia da República de que a aprovação
em votação final global desta iniciativa parlamentar forçará o Governo a
apresentar a sua demissão”, dizia António Costa, em 2019.O
projeto acabou por ser rejeitado e, passados quatro anos, os docentes
ainda não recuperaram todo o tempo de serviço congelado e continuam a
reclamar os seis anos, seis meses e 23 dias restantes.Por
isso, a escolha do dia 06 de junho (06/06/2023) para realizar uma greve
nacional e duas manifestações (em Lisboa e Porto) não foi inocente. E
Mário Nogueira está confiante de que será uma data histórica.Mário
Nogueira quer, no entanto, que a data seja antes marcada por um acordo
entre as organizações sindicais e o Ministério da Educação para a
recuperação integral do tempo de serviço e acredita que, havendo vontade
política, a negociação pode ser rápida."Pode
o Governo, havendo vontade política nesse sentido, chegar finalmente ao
acordo da recuperação do tempo de serviço e da dispensa das vagas.
Tenham os governantes a coragem de tratar bem os professores", disse o
secretário-geral da Fenprof, recordando que os sindicatos já
apresentaram uma proposta concreta para a recuperação faseada, até ao
final da legislatura, e o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º
escalões.“Estamos abertos e podemos ir
além da legislatura, se se confirmar que não há suporte financeiro para
ser em três anos, mas não estamos disponíveis para ser zero”,
acrescentou.O líder da Fenprof disse ainda
que, se o ministro da Educação acredita que a reivindicação é justa e
legítima, como já afirmou anteriormente, “tem de pensar bem para quê
continuar ali a gerir um problema para o qual não tem solução”.Entre
os professores que estiveram concentrados em frente à Assembleia,
repetiam-se os relatos de docentes prejudicados pelo congelamento da
carreira.Alguns já estariam no último
escalão, mas com mais de 30 anos de serviço continuam no 8.º. Outros
estariam agora a aproximar-se do topo da carreira, mas vão ainda a meio.É
o caso de Nelson Delgado, professor de Português há 33 anos, que
estaria hoje no 9.º escalão, mas devido ao congelamento da carreira e à
existência de vagas de acesso para os 5.º e 7.º escalões, continua a
aguardar a progressão no 6.º.“Nunca
chegarei ao topo da carreira”, lamentou o docente, considerando que a
recusa do Governo é apenas política, mas garantindo que, desta vez, os
professores não vão recuar.Rui Inácio, por
outro lado, era dos poucos docentes no protesto que conseguiu alcançar o
10.º escalão. Professor de Educação Visual e Tecnológica há 45 anos,
não compreende a posição do executivo e sublinha que a decisão está a
prejudicar muitos dos seus colegas.