Professores fazem denúncia à CNPD sobre tratamento de dados pessoais
Exames
Hoje 17:24
— Lusa/AO Online
Na
queixa, a que a Lusa teve acesso, o movimento cívico MetaProf sustentou
que o novo modelo de classificação digital levanta dúvidas quanto às
garantias de proteção dos dados pessoais de alunos e professores
classificadores, defendendo por isso uma "intervenção urgente" da CNPD.A
MetaProf pede à CNPD que abra um inquérito ao tratamento de dados
pessoais no âmbito da digitalização, distribuição e classificação
eletrónica dos exames nacionais e provas finais do 9.º ano, alegando
existirem "irregularidades, indícios e omissões" que podem configurar
violações do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).Após
analisarem documentos e com base em relatos de professores
classificadores, o movimento identificou oito grupos de irregularidades.
Um deles diz respeito à empresa
externa contratada para tratar da plataforma de distribuição e
classificação de exames e que a queixa entende ter sido uma
"subcontratação crítica sem garantias de segurança demonstradas".A
denúncia sublinha que a empresa responsável desde 2018 - a Blat -
Creative Powerhouse - tinha em 2024 apenas 14 funcionários e uma
faturação inferior a 580 mil euros, o que "a qualifica como microempresa
por dimensão". Os professores recordam
dois episódios: Uma notícia que revelava que, em tempos, a empresa teria
sido alvo de um alegado ciberataque e o facto de, já no início deste
mês, a plataforma ter estado suspensa por recomendação da Deloitte e
após detetarem "uma fragilidade de segurança cuja natureza não foi
esclarecida publicamente". O movimento
conclui assim que se levanta "uma questão objetiva de proporcionalidade
entre a dimensão e a maturidade de segurança do subcontratante e a
criticidade da função que lhe foi confiada". A
denúncia acrescenta ainda não ser do conhecimento público que tenham
sido exigidas à Blat certificações de segurança da informação,
auditorias independentes ou cláusulas contratuais de resposta a
incidentes.O movimento considerou por isso
que a CNPD deve verificar se os contratos com os subcontratantes
cumprem as exigências do RGPD e garantem a segurança adequada.A
denúncia hoje apresentada aponta também alegadas falhas de integridade e
autorização na Plataforma de Classificação e Supervisão (PCS), da
responsabilidade do EduQa, lembrando que os próprios serviços
reconheceram haver problemas com a contagem de respostas atribuídas aos
classificadores e citando relatos de provas que desapareceram e voltaram
a surgir classificadas por outros professores.Os
outros problemas passam pela ausência de qualquer referência ao RGPD
nas normas que regulam a confidencialidade e operacionalização dos
exames, que não mencionam o regulamento, a CNPD nem a expressão "dados
pessoais", lê-se na queixa.O MetaProf pede
ainda à autoridade que apure se ocorreu exposição de dados relativos às
Medidas de Suporte à Aprendizagem, esclareça qual o modelo de controlo
de acessos implementado nas plataformas, identifique formalmente o
responsável pelo tratamento dos dados e o encarregado de proteção de
dados e determine os prazos de conservação e eliminação da informação.Este
foi o primeiro ano em que a maioria dos exames nacionais, cerca de 300
mil, passou a ser corrigida em formato digital. Embora as provas
continuem a ser realizadas em papel, são digitalizadas e distribuídas
aos professores através da PCS e de uma segunda plataforma gerida por um
fornecedor externo.O documento questiona
ainda a ausência de uma avaliação de impacto sobre a proteção de dados,
dúvidas sobre os mecanismos de autenticação utilizados pelos
classificadores e a eventual exposição de informação constante das
Fichas A e das Medidas de Suporte à Aprendizagem, que podem conter dados
pessoais de categoria especial.