Professores em luta lamentam que ministro não antecipe reunião negocial
6 de jan. de 2023, 11:59
— Lusa/AO Online
Uma
delegação dos dois sindicatos foi recebida por João Costa, em
Coimbra, antes de uma reunião do governante com os diretores dos
agrupamentos de escolas da região Centro, que decorre esta manhã na
Escola Secundária Quinta das Flores.As
duas estruturas sindicais entregaram um documento com as reivindicações
dos docentes, que desde 09 de dezembro iniciaram uma greve decretada
pelo STOP, que se vai estender, pelo menos, até ao final de janeiro,
alargada também aos trabalhadores não docentes.“Perante
este despertar da classe, esperávamos do ministro uma atitude
construtiva para antecipar a reunião, o que não vai acontecer, pelo que a
luta tem de continuar a crescer”, disse o presidente do STOP aos
jornalistas.O dirigente anunciou que a
luta continua já no sábado, com concentrações em frente às câmaras
municipais das sedes de distrito, culminando no dia 14 com uma grande
marcha em Lisboa, entre o Marquês de Pombal e o Terreiro do Paço.“A escola pública tem de ser um desígnio nacional para uma sociedade mais justa e igualitária”, defendeu André Pestana.O
dirigente da Fenprof Vítor Godinho alertou para o estado emocional dos
professores, “que exige respostas rápidas”, considerando que não “é
possível continuar a adiar” as soluções que se exigem.“O
senhor ministro ainda não percebeu o que se está a passar. Esperemos
que tenha flexibilidade de pensar que estamos num momento crítico, numa
profissão que está em declínio”, salientou.Vítor Godinho considerou que “não basta disponibilidade [do ministro], é preciso ouvir e encontrar soluções”.Os
professores rejeitam a intervenção dos municípios no processo de
recrutamento para as escolas, a extinção do quadro de escola, a ausência
de contagem de tempo de serviço que esteve congelado, as quotas de
acesso aos 5.º e 7.º escalões e a penalização na aposentação após 36
anos de serviço.Reivindicam ainda aumentos
remuneratórios, de forma a compensar a perda do poder de compra
verificada desde 2009, e a vinculação dinâmica dos professores
contratados.Cerca de uma centena de
professores afetos à Fenprof e ao STOP aguardaram hoje o ministro da
Educação, empunhando cartazes a exigir “respeito, dignidade e justiça”,
vigiados por um forte efetivo policial.À chegada, João Costa não prestou declarações aos jornalistas.