Professores em greve ao último tempo de aulas a partir desta segunda-feira
27 de mar. de 2023, 07:53
— Lusa/AO Online
Além da greve ao último tempo
letivo de cada docente, arrancam também greves ao serviço
extraordinário, ao sobretrabalho e à componente não letiva, sem impacto
nas aulas dos alunos."Ações de luta não
vão faltar para podermos pressionar o Governo a resolver problemas que
estão a massacrar uma profissão em que há cada vez menos gente", tinha
avisado o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores
(Fenprof) no dia em que a plataforma informal anunciou um novo conjunto
de greves.Dias depois, o Governo aprovou o
novo regime de gestão e recrutamento de professores, que tinha estado a
ser negociado entre o Ministério da Educação e os sindicatos do setor
durante mais de cinco meses, sem que se chegasse a um acordo.No
diploma, permaneceram medidas que os representantes dos docentes tinham
classificado como “linhas vermelhas”, designadamente a possibilidade de
professores com horário incompleto darem aulas em duas escolas e a
criação de conselhos de zona pedagógica, constituídos por diretores
escolares, para fazer a gestão dos horários.A
principal reivindicação é, no entanto, a recuperação de todo o tempo de
serviço que esteve congelado (seis anos, seis meses e 23 dias) de que
as organizações sindicais dizem não abdicar.Sobre
esse tema, o Governo apresentou na quarta-feira propostas com o
objetivo de corrigir assimetrias decorrentes do período de congelamento,
com efeitos na progressão na carreira dos docentes mais afetados, mas
que também mereceram nota negativa."Há um
conjunto de assimetrias, que não se percebe bem quais, mas que poderão
ser mitigadas, mas há outras que se vão aprofundar", afirmou o líder da
Fenprof, em representação das nove organizações.Antes
disso, Mário Nogueira tinha afirmado que o fim das greves previstas até
ao fim do ano letivo estava nas mãos do Ministério da Educação e
dependia de como decorressem as negociações, mas após conhecer as
propostas do Governo, disse que não alteravam os planos.A
plataforma sindical vai também voltar às greves por distritos, entre 17
de abril e 12 de maio, tendo ainda previstas uma greve nacional e
manifestação em 06 de junho, e uma greve às avaliações de final de ano.Além
da recuperação do tempo de serviço, exigem a eliminação das quotas na
avaliação e vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalões da carreira docente, a
alteração do regime de Mobilidade por Doença, a redução da burocracia
nas escolas, um regime especial de aposentação e a regularização dos
horários de trabalho.Atualmente, está a
decorrer uma outra paralisação, convocada pelo Sindicato de Todos os
Profissionais da Educação, que se prolonga desde dezembro.