Professores e sindicatos acusam ministro de fugir a responsabilidades com inquérito a escolas
Exames
Hoje 17:49
— Lusa/AO Online
“Esta parece
ser uma imagem de marca do ministro que é empurrar, passar
responsabilidades, procurar fugir às responsabilidade, por uma medida
que resulta em decisões e falhas da tutela, e este pedido de inquérito,
de certa forma, é uma forma de desviar a atenção do caos que marcou todo
o processo”, disse à Lusa José Feliciano da Costa, co-secretário-geral
da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).O
Ministério da Educação determinou na segunda-feira a abertura de um
inquérito às escolas que enviaram para classificação exames nacionais já
depois da recolha formal por parte das forças de segurança, bem como
aos pedidos de reapreciação submetidos tardiamente.José
Feliciano da Costa sublinhou que “as escolas e as pessoas fizeram tudo o
que lhes competia e até mais do que isso” e “trabalharam sob uma enorme
pressão” para cumprir todos os procedimentos.O
sindicalista acusou o ministro Fernando Alexandre de querer “encontrar
bodes expiatórios” para um processo em relação ao qual o próprio
governante apontou as falhas na digitalização como origem.“O
processo foi montado sem garantias de que corresse bem, como não
correu, sem plano de contingência, mal preparado, com muito amadorismo. E
esta é a responsabilidade do ministro da Educação”, disse José
Feliciano da Costa.Daí que a Fenprof não
aceite que se passem culpas para as escolas e professores, frisando que
os secretariados de exames “fazem isto há muito tempo, estão
preparadíssimos para isto”, e recuse a intenção do Governo, ao avançar
com este inquérito, de “analisar o problema pela última etapa”.A
Fenprof afirma-se preparada para prestar todo o “apoio jurídico e
político” às escolas e professores e impedir qualquer sanção, recorrendo
a todas as instâncias necessárias, incluindo o Presidente da República e
a Assembleia da República.Já o Movimento
Escola Pública (MEP) reagiu “com bastante indignação” ao anunciado
inquérito, que considera “uma falta de respeito para com os professores e
com as escolas”, que são quem “efetivamente está a garantir que o caos
não seja maior”.“Entendemos que será muito
importante que em setembro tenha lugar a comissão de inquérito
parlamentar para efetivamente ter as verdadeiras responsabilidades em
todo este processo, não é certamente nas escolas nem nos professores que
está essa causa”, disse Cristina Mota, do MEP.Lembrou,
por exemplo, que muitos alunos só tiveram acesso às suas provas e
classificações em data posterior à da afixação dos resultados oficiais,
“portanto é normal que só mais tarde tivessem reunido as condições para
que as escolas pudessem enviar o pedido de apreciações”“Entendemos
que há uma posição política, portanto, Fernando Alexandre tem perfeita
consciência de quem é responsável por todo este caos”, disse Cristina
Mota, do MEP, acrescentando que esta é “mais uma” a juntar a todas as
posições políticas que o ministro tem assumido.E
duvida também que se possam atribuir às escolas responsabilidades por
eventuais atrasos no envio de exames nacionais para classificação na
primeira fase, sublinhando também ela que os secretariados são os mesmos
há vários anos: “Temos de procurar qual a variável que efetivamente
agora temos de diferente, e que levou a termos uma diferença nos
resultados”.Para já o MEP aguarda por
desenvolvimentos em relação à auditoria, mas Cristina Mota espera uma
“posição firme” dos diretores escolares em relação ao que se está a
passar.Pela primeira vez este ano, os
exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato
digital, mas o processo registou várias falhas técnicas, obrigando ao
adiamento por alguns dias da divulgação das notas.Apesar
destes atrasos, o Ministério manteve os calendários de candidatura da
1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, que terminou
na quinta-feira e cujos resultados serão divulgados no dia 23 de
agosto.O ministro da Educação tem
reconhecido as falhas, registadas sobretudo durante a 1.ª fase dos
exames, e solicitou ao Conselho Nacional de Educação a elaboração de um
relatório sobre o sistema de avaliação externa, incluindo o processo de
classificação eletrónica.