Professores do pré-escolar e 1.º ciclo poderão deixar de dar aulas a partir dos 60 anos
6 de abr. de 2023, 07:27
— Lusa/AO Online
A intenção foi
apresentada às organizações sindicais numa reunião negocial sobre o
tempo de serviço dos professores, mas a proposta de diploma só deverá
ser entregue na próxima reunião negocial, prevista para daqui a duas
semanas.Em declarações aos jornalistas, o
ministro da Educação explicou que o objetivo é que os professores do 1.º
ciclo, em regime de monodocência, “possam ter isenção total de
componente letiva a partir dos 60 anos”.A medida deverá ser aplicada de forma gradual, acrescentou João Costa, sem adiantar mais detalhes.Atualmente,
o estatuto da carreira docente prevê apenas a possibilidade de esses
professores pedirem a redução de cinco horas da componente letiva
semanal a partir dos 60 anos.As duas
reuniões negociais realizadas hoje não foram, no entanto, sobre este
tema, mas antes sobre uma proposta do Ministério da Educação que prevê
um conjunto de medidas com impacto na progressão na carreira dos
professores em funções desde 30 de agosto de 2005, ou seja, que passaram
pelos dois períodos de congelamento do tempo de serviço.Com
o objetivo de corrigir assimetrias decorrentes desse congelamento, a
intenção é que esses docentes recuperem o tempo em que ficaram a
aguardar vaga no 4.º e no 6.º escalões a partir do ano de
descongelamento (2018), que fiquem isentos de vagas de acesso aos 5.º e
7.º, além da redução de um ano na duração do escalão para aqueles que
também ficaram à espera de vaga, mas já estão acima do 6.º.Da
parte das organizações sindicais, as medidas foram consideradas
insuficientes e as reivindicações mantêm-se: o fim das vagas de acesso
àqueles escalões e a recuperação de todo o tempo de serviço.Questionado
se o Governo rejeitava liminarmente a segunda proposta, João Costa
admitiu que a reivindicação dos docentes “é justa e legítima”, mas
reconheceu também que o Governo não tem possibilidade de “responder na
integridade”, devido ao impacto orçamental e, por outro lado, a outras
opções do Governo, como a política de habitação.“Reconhecendo
essa legitimidade, esta proposta de acelerador da carreira é uma
resposta de mitigação do período de congelamento”, dirigida, sobretudo,
aos docentes mais afetados pelo congelamento da carreira.O
ministro reafirmou ainda que as medidas vão abranger cerca de 60 mil
professores e alguns poderão recuperar, por exemplo, quatro anos, de
acordo com relatos que tem ouvido dos profissionais.