Professores convocados para classificar exames a poucas horas do fim do prazo
Hoje 16:53
— Lusa
Em
declarações à Lusa, a porta-voz do movimento cívico, Cristina Mota
revelou que “há professores a serem chamados hoje para substituir
colegas que estão de baixa”.A Lusa conhece
uma das docentes convocadas hoje de manhã que, à hora de almoço,
continuava a aguardar o envio de itens do exame nacional. "O ministro
prometeu dez dias e nem dez horas temos [para classificar]", desabafou a
professora de Português.“Por muito que
queiram, ninguém consegue estar a trabalhar com rigor nestas condições,
até porque os professores não terão qualquer possibilidade de rever as
classificações”, disse Cristina Mota.Há
professores à espera das folhas de continuação em falta e outros que
receberam itens para corrigir sem a folha de resposta, acrescentou,
dizendo que “as pessoas não estão a conseguir sinalizar o problema”.No
dia em que os mais de 300 mil exames têm de estar classificados, a
Missão Escola Pública defendeu que o ministério deveria prolongar
novamente a data.“Até acredito que o
ministro dê o processo por concluído, mas acho muito difícil que alguns
colegas consigam ter o processo concluído, ainda mais com os
constrangimentos que a plataforma está a ter”, alertou.Cristina
Mota lembrou que foram dados mais três dias para afixar as notas, mas
apenas dois extra para concluir as avaliações: “Deveria haver pelo menos
mais um dia para os professores terminarem as tarefas”.A
professora de Matemática já concluiu a avaliação de todos os itens que
recebeu, mas perante as falhas detetadas na plataforma sente algum
receio.Cristina Mota teve “90 provas nulas
sem nada escrito pelo aluno”. Em causa estão dois itens de dificuldade
média em que a resposta chegou à professora em branco. “Eu
julgo que não escreveram nada e que aquela é a folha do aluno. A média
de Matemática não costuma ser muito alta, mas realmente tive muitos
casos em que não estava nada escrito”, contou, explicando que o seu
receio se prende com o facto de os alunos poderem ter respondido o item
numa outra folha.Pela primeira vez este
ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser corrigidos em
formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o
início e, devido aos constrangimentos, o Ministério da Educação, Ciência
e Inovação (MECI) adiou os prazos inicialmente previstos.Um
balanço feito na segunda-feira de manhã pelo ministro Fernando
Alexandre indicava que 92% dos exames já estavam corrigidos, o que
significa que num universo de mais de 300 mil provas estariam por
classificar cerca de 20 mil provas.