Professores acampam novamente em Lisboa e greve por distrito chega a Santarém
24 de abr. de 2023, 07:20
— Lusa/AO Online
Iniciativa de um grupo de
profissionais de educação que se organizam através das redes sociais, o
acampamento de professores que hoje começa deverá manter-se até 01 de
maio.Previsto para o Largo do Carmo, em
Lisboa, o acampamento inicia-se hoje no Rossio para não colidir com
outras manifestações previstas para aquele espaço para assinalar o 25 de
Abril, fixando-se ali a partir de terça-feira.“Neste
momento, mais de 200 professores já disseram que iriam participar no
acampamento, que começa na noite de 24 para 25 de abril. Gostaríamos que
o acampamento fosse no Largo do Carmo, dado o simbolismo do sítio e da
data”, contou recentemente à Lusa a docente Helena Vicente Gomes. Durante
o acampamento, os professores vão promover vigílias e participar
noutras iniciativas, como a manifestação nacional do 25 de Abril.Simultaneamente,
a plataforma sindical que inclui a Federação Nacional de Professores
(Fenprof) e a Federação Nacional de Educação (FNE) leva hoje a greve
distrital, que começou na última segunda-feira no Porto, até Santarém.Os
docentes realizam uma concentração ao meio-dia junto à Escola
Secundária Ginestal Machado e outra às 15:00 junto à Escola Prática de
Cavalaria, de onde saem para nova concentração no Largo do Seminário.A
paralisação - que vai percorrer todos os distritos por ordem alfabética
inversa, de Viseu a Aveiro, termina em 12 de maio em Lisboa.Os protestos de hoje surgem após um fim de semana de manifestações da classe docente.No
sábado, o movimento “Missão Escola Pública” organizou um protesto nos
aeroportos portugueses para “mostrar aos turistas que, apesar de o país
ser maravilhoso, não tem uma escola pública valorizada”.No
aeroporto do Porto, várias dezenas de professores lançaram aviões de
papel e distribuíram postais de boas-vindas aos turistas com mensagens
como “Portugal lovely place to visit, terrible place do live”
(“Portugal, um país lindo para visitar, terrível para viver”), “SOS
Portuguese schools in danger” (“SOS Escolas portuguesas estão em
perigo”) ou “Welcome do the country where teachers are becoming slaves”
(“Bem-vindo ao nosso país, onde os professores estão a tornar-se
escravos”).No domingo, uma marcha
convocada por um grupo de professores do Norte mobilizou milhares de
pessoas que gritaram "demissão" no Porto junto ao local onde o Partido
Socialista celebrava o seu cinquentenário.A
marcha juntou milhares de pessoas de vários setores, da educação ao
alojamento local, passando pela justiça junto ao Pavilhão Rosa Mota.A
recuperação de todo o tempo de serviço que esteve congelado durante a
crise económica é um dos principais motivos dos protestos e greves dos
professores, que criticam ainda os estrangulamentos de acesso aos 5.º e
7.º escalões e as quotas nas avaliações.