Professora deslocada denuncia rendas insustentáveis em Angra

20 de ago. de 2025, 09:49 — Maria Andrade

A escalada dos preços da habitação em Angra do Heroísmo está a colocar em causa a permanência de profissionais deslocados na cidade. O alerta é deixado por Tânia Abreu, professora de 44 anos, natural de Valença do Minho, que há sete anos se fixou na Ilha Terceira à procura de estabilidade, em contexto de família monoparental.“Um T2 sem qualquer despesa incluída e muitas vezes sem contrato de arrendamento pedem entre os 900 e 1300 euros, algo completamente insuportável a nível financeiro para famílias de classe média e monoparentais”, desabafou em entrevista ao Açoriano Oriental.A docente explica que os valores praticados no mercado local são insuportáveis para quem vive apenas de um salário médio. “A valorização imobiliária, em parte associada ao aumento do turismo e à procura externa, tem gerado um efeito especulativo que se reflete diretamente nos contratos de arrendamento. O resultado é uma discrepância evidente entre o rendimento disponível das famílias terceirenses e os encargos que estas são obrigadas a suportar para garantir uma habitação condigna”, acrescenta.De acordo com a professora deslocada, o desfasamento entre rendimentos locais e encargos com a habitação está a afetar não só trabalhadores deslocados, mas também jovens em início de carreira, casais que desejam constituir família e idosos com reformas modestas.“Em muitos casos, a solução passa por deslocar-se para freguesias periféricas, onde os preços ainda se mantêm menos inflacionados, embora à custa de maiores deslocações e perda de proximidade aos serviços centrais”, disse.A docente considera urgente uma intervenção das entidades públicas para reequilibrar o mercado. Defende medidas como incentivos à construção e reabilitação de habitação a custos controlados e a criação de mecanismos de regulação que travem práticas abusivas.“É imperativo assegurar que viver em Angra do Heroísmo não se torne um luxo inacessível para os próprios angrenses e outros que optem por fazer de Angra a sua casa”, afirmou.Perante este cenário, Tânia Abreu sublinha que a habitação deve ser entendida como um direito fundamental e não como um bem de luxo, apelando a uma resposta célere e eficaz que permita devolver dignidade e estabilidade às famílias que vivem e trabalham em Angra do Heroísmo, sob pena de a cidade perder a sua vitalidade social e económica.