Produtores dos Açores com apoio ao gasóleo agrícola estendido até final do ano
Hoje 11:10
— Rui Jorge Cabral
Os produtores dos Açores vão beneficiar também da extensão até ao final do ano do apoio extraordinário ao gasóleo utilizado nos setores da agricultura e floresta, para mitigar o impacto da subida dos custos da energia, tal como anunciado pelo Governo da República no passado dia 9 de setembro. Este apoio suplementar cobre o segundo semestre de 2026, estimando-se no caso dos Açores num valor de 1,5 milhões de euros.Esta foi a notícia saída da reunião entre o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura e o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, que aconteceu ontem no recinto da Associação Agrícola de São Miguel, em Santana, Rabo de Peixe.Refira-se que os agricultores açorianos já estão em vias de receber cerca de 800 mil euros de apoio ao gasóleo face à subida do preço dos combustíveis, num valor que cobre apenas os meses de abril, maio e junho. E estes 800 mil euros integram um apoio global de três milhões de euros para os Açores, no âmbito de uma medida do Governo da República para todo o território nacional. Além do gasóleo agrícola, esta verba de três milhões de euros inclui ainda uma compensação pelo aumento dos custos dos fertilizantes e apoios por vaca aleitante, por vaca leiteira ou por ovino e caprino. Em declarações aos jornalistas à margem da reunião com o secretário regional da Agricultura e Alimentação, o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, afirmou a importância deste apoio, embora lembrando que no país vizinho, Espanha, o apoio ao gasóleo é bastante superior, o que “retira competitividade aos agricultores do continente e aos agricultores dos Açores”. Jorge Rita lembrou, por isso, “que o Governo da República tem condições e podia muito bem baixar o nível do imposto, ou então aumentar o valor da ajuda. É porque 10 cêntimos por cada litro até ao final do ano é um apoio, mas se houver mais subidas do gasóleo, os 10 cêntimos já não dão sequer para as subidas”.Outro aspeto salientado pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores em declarações aos jornalistas foi o da subida do preço do gasóleo agrícola nos Açores em 48,2 cêntimos por litro desde o início deste ano. Além disso e “com o leite a baixar, o preço da carne a baixar, os custos a subir desta forma, com a falta de mão-de-obra e a previsibilidade do combustível continuar a subir e das rações também poderem subir, estamos aqui numa situação muito difícil”, alerta Jorge Rita. Que volta igualmente a reclamar a urgência da disponibilização pelo Governo da República da verba de 23 milhões de euros para os Açores, sendo esta uma parte de um apoio criado em 2022 a nível nacional, mas que não incluiu os Açores, destinado a compensar os agricultores pelos efeitos negativos da Guerra na Ucrânia. “Porque a discriminação dos 23 milhões ainda existe”, lembra Jorge Rita, que acrescenta: “esta reivindicação está em cima da mesa e esperamos da parte dos partidos políticos que têm assento parlamentar, a nível da República, que também se debata que essa ajuda tem que vir para a Região, para os agricultores dos Açores e já estamos a falar de um atraso de quatro anos”.Ação diária de pressãoÀ margem da reunião com o presidente da Federação Agrícola dos Açores, o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, afirmou aos jornalistas que o Governo Regional tem feito uma “ação diária de pressão política e institucional” junto do Governo da República para que os 23 milhões de euros previstos no Orçamento do Estado para este ano sejam transferidos para os Açores e cheguem “o mais rapidamente possível aos agricultores”. Recordando que este problema remonta a 2022, quando os Açores foram excluídos de um apoio nacional criado pelo Governo da República, então liderado pelo PS, António Ventura não deixou de reconhecer que, tendo o atual Governo da República liderado pelo PSD corrigido esta situação e prometido a verba de 23 milhões para os Açores, “nós queremos que isto seja rapidamente cumprido”. Mais ainda “numa altura de dificuldades, como agora, em que os agricultores se veem aflitos com as oscilações do preço do combustível, com a descida do preço do leite e com a falta de mão-de-obra. Esse dinheiro é fundamental, porque não há agricultores do continente e agricultores dos Açores. Somos todos Portugal”, concluiu António Ventura.