Produtores de leite preocupados com falta de apoios, importação e “guerra de preços”
Hoje 15:35
— Lusa/AO Online
Após
uma “fase de alguma estabilidade”, a guerra no Irão fez com que “os
preços subissem bastante”, com “as rações com um aumento à volta de 40
euros por tonelada”, diz o presidente da APROLEP, Miguel Silva.“Neste
momento, algumas fábricas até impõem alguns limites a nível de
aquisição, dependendo da disponibilidade dos produtos. Estamos numa
situação complicada, porque não controlamos os preços a que vendemos. Se
entrarmos numa guerra de preços nos hipermercados, isso pode pôr as
produções leiteiras em causa”, explica.Miguel
Silva falava à margem de uma ação da associação na rua de Santa
Catarina, no Porto, durante a qual entregaram leite de produção nacional
a quem passava, tentando sensibilizar para a qualidade e a valorização
dos produtos portugueses.Apesar de
existirem “alguns apoios específicos”, o do gasóleo, de 10 cêntimos,
“ainda não foi pago, está a decorrer a fase de candidatura”, e “fala-se
num apoio para adubos, mas não se viu nada de concreto”.“Neste momento, ainda não se viu nada, nem suficiente nem insuficiente”, critica.Além
das dificuldades do contexto de guerra, a elevada “importação de queijo
em barra”, entre outras, tem prejudicado os produtores nacionais, num
contexto em que há excesso produtivo no continente europeu.As
“guerras de preços no leite” voltam a prejudicar o setor, denuncia, uma
“luta do passado que durou bastantes anos” e que agora recrudesce, após
“um período de alguma acalmia”.“Estas
guerras de preço não ajudam ninguém, porque no fim de contas quem paga a
fatura é o produtor. Obviamente, é muito fácil fazer guerra sem pagar a
fatura. Os produtores vão sentir isso no bolso, o que porá em causa
muitas das produções leiteiras”, admite.Por
outro lado, todo este conjunto de queixas resulta num “decréscimo
bastante acentuado de produtores”, estimando a APROLEP em 1.400 no
continente e mais 1.500 nos Açores, por um “valor bastante limitado” de
rentabilidade do negócio que faz muitos desistirem.Questionado
sobre o que pode o Governo fazer para aumentar a resiliência do setor,
simplifica: “que tudo o que fosse anunciado fosse cumprido”.“Olhando
para Espanha, vemos apoios muito maiores ao gasóleo. Nós temos 10
cêntimos, para serem pagos sabe-se lá quando, com regras um pouco
estranhas. O apoio à adubação estará a funcionar em Espanha, e aqui não
há nada em concreto”, refere.O presidente
da APROLEP deixou ainda um alerta ao Governo Regional dos Açores, que
“tem um papel a cumprir” para evitar “uma corrida até ao fundo para ver
quem chega lá primeiro”.“Apoiar a produção
sem tentar influenciar para que essa produção seja valorizada, produzir
por produzir... no fim, acaba por inundar o mercado, causa-nos
problemas bastante graves, e nessa guerra perdem os produtores”,
lamenta.