Produtores das Beiras e Serra da Estrela vendem animais por falta de alimento
Seca
3 de fev. de 2022, 12:01
— Lusa/AO Online
“A
situação que estamos a passar neste momento, com a falta de chuva, já
nos coloca questões muito relevantes, nomeadamente na falta de alimento,
pasto, para os animais”, disse hoje Luís Tadeu à agência Lusa.Segundo
o presidente da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela
(CIM-BSE), a alternativa é alimentar o gado com rações, mas, devido aos
custos, os jovens empresários e os pequenos empresários agrícolas da
região “começam a ter dificuldades”.“E
tenho conhecimento de que já há algumas situações em que esses pequenos
empresários, pelas dificuldades e por não terem meios para, de outra
forma, alimentarem os próprios animais, com rações ou outros
[alimentos], que estão a optar por vender os animais”, alertou.Perante
a situação, o autarca vaticinou que “vai haver, certamente, uma
diminuição do efetivo de animais”, nomeadamente de ovinos para produção
de leite, o que na zona da CIM-BSE “tem relevância”, desde logo, pela
produção de “um produto de fama mundial”, que é o queijo da Serra da
Estrela DOP (Denominação de Origem Protegida).A
redução do número de ovelhas “pode traduzir-se numa diminuição da
produção de queijo”, considerou o responsável, porque os animais
vendidos, “uns serão para continuar a produzir ainda leite, outros
poderão ser para abate, o que vai traduzir-se numa redução do efetivo” e
“uma perda para o território”.Luís Tadeu,
que é também o presidente da Câmara Municipal de Gouveia, disse à Lusa
que a situação relatada está a acontecer no seu concelho.“Não
conheço [que ocorra] noutros, mas depreendo que, se no meu está a
acontecer, que é muito provável que também esteja a acontecer noutros
concelhos do território da Comunidade Intermunicipal”, disse.O
presidente da CIM-BSE reconheceu a necessidade de serem aplicadas
medidas de apoio direto aos agricultores da região, enquanto não se
verifica a reposição dos níveis de água.“Torna-se
necessário um apoio financeiro direto aos agricultores para que possam
manter os seus efetivos, agora alimentados por rações, para fazer face
ao custo elevado das rações e ao aumento que elas têm vindo a sofrer”,
defendeu.Adiantou que a CIM-BSE,
juntamente com as associações de agricultores do território, irá alertar
o Governo “para a necessidade efetiva” de uma “medida urgente” de apoio
aos agricultores.O responsável disse
também temer que a seca possibilite o aparecimento de grandes fogos
florestais, “o que é sempre um problema” para o território.A
CIM-BSE, com sede na cidade da Guarda, é constituída por 15 municípios,
sendo 12 do distrito da Guarda (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de
Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Gouveia, Manteigas, Meda,
Pinhel, Seia, Sabugal e Trancoso) e três do distrito de Castelo Branco
(Belmonte, Covilhã e Fundão).Mais de
metade do território de Portugal continental (57,7%) estava no final de
dezembro em situação de seca fraca, tendo-se registado uma ligeira
diminuição na classe de seca severa e um aumento na seca moderada,
segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).Na
terça-feira, o Governo restringiu o uso de várias barragens para
produção de eletricidade e para rega agrícola devido à seca em Portugal
continental, revelou o ministro do Ambiente e Ação Climática.