Produtores agropecuários da ilha de Santa Maria alimentam animais com silagem e feno
29 de ago. de 2024, 12:17
— Lusa
Segundo o
presidente da Cooperativa de Produtores Agropecuários da Ilha de Santa
Maria - Agromariensecoop, Duarte Moreira, a ilha é a “mais seca dos
Açores” e é normal que o verão tenha sempre um período de seca, mas este
ano “está muito mais severo” devido às temperaturas elevadas.“E
isso tem tido bastante influência na disponibilidade, principalmente ao
nível da alimentação animal, dos bovinos e [dos] ovinos, que são as
espécies existentes na ilha de Santa Maria. E o que acontece é que as
pessoas estão já a utilizar todo o alimento que tinham guardado na
primavera para fazer face às necessidades normais do inverno e, nesta
altura, os animais não têm pastagem para se alimentar”, disse o
responsável à agência Lusa.A ilha de Santa Maria tem cerca de 300 explorações de bovinos e um efetivo de 7 mil animais.A
Agromariensecoop está a fazer junto dos seus associados um levantamento
das necessidades de alimento para os próximos três meses e apurou, até
ao momento, que 80 explorações agropecuárias “manifestaram
dificuldades”, pelo que considera necessário adquirir “cerca de 300
toneladas” de alimento fibroso para o efetivo animal existente.A
informação já foi enviada à Federação Agrícola dos Açores, que a
transmitirá posteriormente ao Governo Regional, disse o responsável.“Neste
momento, os animais não têm alimento disponível na pastagem e,
portanto, o recurso que os produtores têm é a silagem [forragem
conservada] ou feno que foi guardado na fase de fim de inverno [e]
primavera, normalmente para fazer face ao inverno seguinte e, também, de
alguma forma, ao verão, quando a seca não é tão prolongada e tão
drástica como está a ser neste momento”, vincou Duarte Moreira.De
acordo com o presidente da direção da Agromariensecoop, a situação “não
costuma ser tão grave”, mas este ano o verão está a ser “extremamente
seco” e com temperaturas elevadas.“Quem
vem à ilha de Santa Maria nesta altura, vê que a ilha está toda amarela,
toda completamente seca e não há pastagem. O que está a acontecer este
ano não tem sido vulgar nos últimos anos durante o verão”, concluiu.Os
Açores estiveram este mês vários dias sob aviso meteorológico amarelo
(o menos grave de uma escala de três) devido ao tempo quente, com
temperaturas máximas de 29 e 30 graus Celsius e mínimas entre 21 e 23
graus, pouco habituais nas nove ilhas.Na
semana passada, a Federação de Bombeiros da Região Autónoma dos Açores
pediu aos residentes no arquipélago “o máximo de prudência na realização
de queimadas” devido ao risco de incêndios rurais, que não são comuns
no território.