Produção de energia por privados não está regulamentada nos Açores
23 de jun. de 2025, 18:35
— Lusa
“A ERSE não está a
validar os contratos de aquisição de energia, por parte da EDA, aos
produtores independentes por entender que não está a ser cumprida a
diretiva europeia”, explicou a secretária regional do Turismo,
Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, durante uma audição na
Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável, reunida em Ponta Delgada.A
governante, que tem também a tutela da Energia no arquipélago,
justificava assim a apresentação, no parlamento regional, com caráter de
urgência, de um diploma que pretende adaptar à região o diploma
nacional que clarifica as competências das regiões autónomas nesta
matéria.“O contrato de aquisição de
energia é, atualmente, um documento obrigatório para a atribuição de uma
licença de produção, pelo que, sem este documento e sem a respetiva
licença, não podem avançar investimentos de produção de eletricidade com
base em fontes de energia renováveis”, adiantou Berta Cabral.Para
já, a proposta apresentada pelo executivo de coligação
(PSD/CDS-PP-PP/PPM) pretende apenas ultrapassar as divergências de
entendimento sobre o pagamento de energia a privados, mas a secretária
regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas admite que há outras
questões, igualmente importantes, que precisam também de ser aprovadas
pela ERSE.“Se a ERSE considerar que os
preços não estão de acordo com aquilo que a ERSE entende que é o
tarifário aceitável para a Região Autónoma dos Açores, não valida. E, se
não validar, a EDA está impedida de fazer contratos de aquisição de
eletricidade aos produtores independentes, porque isso não será
compensado pela ERSE”, justificou.Para já,
o Governo açoriano admite que a dispersão da produção de energia nos
Açores e a diferença de consumos entre as nove ilhas poderá gerar alguma
controvérsia junto da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.