Produção de castanha com quebra de 80% na ilha Terceira devido a pragas e doenças
10 de nov. de 2024, 11:24
— Lusa
“As pragas e doenças existentes, associadas à
instabilidade climática, têm prejudicado fortemente as produções” e este
ano “esperam-se quebras a rondar os 80%”, disse à agência Lusa o
presidente da Frutercoop - Cooperativa de Hortofruticultores da Ilha
Terceira.Segundo Paulo Rocha, em 2020 e
2021 (últimos melhores anos de safra), a produção de castanha
comercializada pela cooperativa rondava as sete toneladas, mas este
valor tem vindo a baixar de então para cá “devido a problemas
relacionados com pragas e doenças”.“Também
os fatores climáticos desfavoráveis na altura da floração, como sejam
humidades elevadas, precipitações fortes [2023] ou secas prolongadas
[2024] têm prejudicado os vingamentos e o bom desenvolvimento dos
ouriços”, disse.A principal variedade de castanha produzida na ilha Terceira é a Viana, que está “bem adaptada à região”.A
Frutercoop, com sede em Angra do Heroísmo, tem atualmente 10 produtores
de castanha e a Terceira “sempre foi uma ilha com muita tradição de
produção frutícola”, salientou o dirigente.Em
2006, segundo o Serviço Regional de Estatística dos Açores, estavam
registados 102 hectares de produção de castanha no arquipélago, “dos
quais 70 hectares na ilha Terceira”, mas tem-se registado uma diminuição
nos últimos anos, devido à “falta de jovens neste setor da produção
frutícola” e também às pragas e doenças.“A
praga do bichado da castanha [‘Cydia splendana’] em anos favoráveis
pode levar a prejuízos na ordem dos 38% e as doenças da tinta e do
cancro também têm enfraquecido as plantas. Em 2021 detetámos a presença
da praga vespa das galhas do castanheiro [‘Dryocosmus kuriphilus’] e a
doença podridão da castanha [‘Gnomoniopsis smithogilvyi’], situações
novas na ilha Terceira”, disse o representante.Em
relação à vespa das galhas, problema também existente na ilha da
Madeira, acrescentou, sabe-se “que [os produtores locais] estão a
trabalhar com luta biológica e que os resultados parecem ser
promissores”.“Esperamos, pois, que o mesmo trabalho seja desenvolvido na ilha Terceira”, disse.Já
a podridão da castanha, doença que foi detetada em 2019 no território
nacional, começou a “afetar bastante” a comercialização do fruto na
região açoriana em 2021. “É um problema
que só é visível depois da castanha aberta, o que nos levou a fazer
triagem de qualidade à entrada da cooperativa”, contou.Ainda
de acordo com Paulo Rocha, a direção da Frutercoop está a trabalhar com
os produtores “no sentido de melhorar a qualidade dos seus pomares em
termos de nutrição e bom maneio das plantas, de modo a minimizar este
problema”.A cooperativa de
hortofruticultores da Ilha Terceira tem também participado em projetos
com a Secretaria Regional da Agricultura e com a Universidade dos
Açores, para avaliar a cultura do castanheiro relativamente à praga do
bichado da castanha, e pretende que seja dado destaque ao problema da
vespa da galha do castanheiro para existir “algum controlo neste
problema”.“Foi elaborado um Plano
Estratégico para o Desenvolvimento da Fruticultura para a Região
Autónoma dos Açores onde estão identificados os problemas do setor e é
necessário que seja implementado para permitir a continuidade da
produção frutícola na região”, defendeu Paulo Rocha.A
ilha Terceira tem “forte tradição” na produção de fruta e a castanha
tem “elevada expressão”, principalmente na freguesia da Terra-Chã (Angra
do Heroísmo).Contudo, indicou o responsável, a produção da ilha “é só para consumo na região”.A
Frutercoop, fundada em 1992, integra organizações de produtores de
banana, mel, flores e hortofrutícolas e tem um volume anual de negócios
que ronda três milhões de euros.A produção destina-se ao mercado regional (mel, hortofrutícolas e banana), nacional (banana) e internacional (flores).