Produção artesanal de amêndoas mantém-se nos Açores apesar de menor procura
18 de mar. de 2024, 08:23
— Lusa/AO Online
Na
freguesia da Fajã de Cima, no concelho de Ponta Delgada, a fábrica
Pérola da Ilha “não abdica da produção de amêndoa especificamente nesta
altura do ano”, como disse à agência Lusa o diretor de produção,
Francisco Paquete.A unidade fabril, para
além da Páscoa, promove produções pontuais para exportar para as
comunidades de emigrantes radicadas nos Estados Unidos, bem como para
escoar para as outras ilhas dos Açores.Com
origem no Médio Oriente, trazidas para Portugal por influência da
confeitaria francesa, as amêndoas doces eram antes produzidas em
conventos.Francisco Paquete acompanha
diariamente o fabrico da amêndoa, que leva 10 horas a ser confecionada, e
considera que o segredo da qualidade do produto da Pérola da Ilha
“reside na sua produção quase artesanal”.“Esta
é uma altura em que temos que nos dedicar a este produto, existindo
vários tipos de amêndoa, como amêndoa lisa cores, a do tipo francês, a
popular - que é muito apreciada pelo povo micaelense - e a sobremesa, a
par do confeito, que não é uma amêndoa mas que requer também o uso das
panelas de cobre”, afirma o empresário.Francisco
Paquete refere que a tradição da amêndoa mantém-se nos hábitos de
Páscoa dos açorianos mas “já foi mais procurada”, sendo que “nos anos 80
e 90 o fabrico e a procura eram muito maiores”.“Com
a vinda da amêndoa e dos ovos de chocolate a venda caiu para cerca de
metade”, frisou, para salvaguardar que na década de 80 fabricavam-se 30
mil quilos de amêndoa, sendo que atualmente atingir os 15 mil é uma boa
meta.De acordo com o empresário, a amêndoa
da Pérola da Ilha “difere da que vem do continente e de outros países
por ser mais tenra em termos de textura no trincar”.Mas
a estrela das amêndoas da Pérola da Ilha é a amêndoa popular, que “não
tem concorrência, que é mais procurada pelos açorianos e feita com
amendoim”, sendo ainda mais acessível em termos de preço.Francisco
Paquete aponta que a produção de amêndoa é escoada pelo comércio
tradicional e pelas superfícies comerciais, mas há quem procure
diretamente a loja da Pérola da Ilha.Curiosamente,
a produção da amêndoa por parte da Pérola da Ilha - que existe desde a
década de 60 e foi fundada por Zélia e António Poim - aconteceu por
acidente.O proprietário, na altura,
adquiriu umas panelas para aumentar a produção do amendoim com açúcar,
mas estas destinavam-se à produção de amêndoa.Foi
o conhecimento logístico transmitido à Pérola da Ilha por um outro
empresário, da então fábrica Mira Lagoa, que permitiu arrancar a
produção de amêndoas, aproveitando as panelas. Francisco
Paquete afirma que houve uma altura em que o açúcar que era usado na
confeção da amêndoa derivava do cultivo local da beterraba, cuja cultura
entretanto desapareceu.O empresário
tentou usar açúcar extraído a partir da cana, mas os resultados não
foram os desejados, utilizando agora o açúcar da beterraba importado dos
Países Baixos, salvaguardando que, mais do que por razões comercias,
existem motivações culturais e tradicionais associadas à sua produção.Além das amêndoas, a unidade fabril, com 22 funcionários, comercializa aperitivos e congelados.