Procurador admite contactos com jornalista, mas nega ter dado informação
Operação Marquês
Hoje 15:16
— Lusa/AO Online
"Não
houve nenhuma iniciativa nossa de falar com a senhora jornalista. Terá
tentado confirmar a existência de um processo", disse o procurador que
liderou a investigação ao chefe de Governo entre 2005 e 2011, no
julgamento, em Lisboa, da ação administrativa em que o ex-governante
exige ser indemnizado em pelo menos 50 mil euros pelo Estado pela demora
da Operação Marquês."Não houve nenhum
adiantamento [de informação]. Não há possibilidade de ter tido qualquer
horizonte daquilo que [a investigação] pretendia fazer", afirmou.Rosário
Teixeira deu a garantia ao ser confrontado em tribunal com o conteúdo
do livro "O Tribunal dos Poderosos", do jornalista António José Vilela,
no qual é referido que os contactos com a jornalista, que revelou
informações em segredo de justiça, tinham existido.O
confronto foi requerido pelo mandatário de José Sócrates, Filipe
Baptista, depois de, durante a manhã, o procurador ter testemunhado que
não falara com qualquer jornalista antes da detenção do antigo
primeiro-ministro.A explicação não
convenceu Filipe Baptista, que pediu a extração de uma certidão visando
Rosário Teixeira por falsidade de testemunho, tendo a juíza Daniela
Santos Costa remetido a decisão para momento oportuno.O
Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa começou hoje a julgar a
ação que José Sócrates intentou contra o Estado português em 2017 e na
qual exige ser indemnizado em pelo menos 50 mil euros, pela alegada
violação pelo Ministério Público dos prazos para a conclusão do
inquérito da Operação Marquês, comprometendo o direito do ex-governante a
uma decisão judicial num prazo razoável.Na ação administrativa está também em causa a violação do segredo de justiça durante a investigação.O
inquérito do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP),
no âmbito do qual José Sócrates chegou a estar preso preventivamente,
foi aberto em julho de 2013 e a acusação foi deduzida em outubro de
2017.Após uma longa fase de instrução e
recursos nos tribunais superiores, o julgamento do antigo chefe de
Governo socialista, de 68 anos, e outros 20 arguidos por corrupção e
outros crimes começou em 03 de julho de 2025 no Tribunal Central
Criminal de Lisboa, faltando ouvir dezenas de testemunhas.