Procura interna continua a ser principal fragilidade da economia chinesa
Hoje 12:47
— Lusa/AO Online
“A fraqueza do consumo interno é o
principal problema que está a afetar a saúde financeira da economia
chinesa no seu conjunto”, refere num relatório publicado na quinta-feira
a agência de notação financeira, alertando que o conflito no Irão pode
funcionar como um “choque externo de curto prazo” que amplifica
fragilidades existentes.A agência sublinha
que o aumento dos custos das matérias-primas e as perturbações nas
cadeias de abastecimento já estão a afetar a economia, ao mesmo tempo
que elevam os riscos para a procura externa.A
elevada integração da China no comércio global torna o país
particularmente sensível a estas dinâmicas, sobretudo devido à
dependência energética: cerca de 40% a 50% das importações marítimas de
petróleo passam pelo estreito de Ormuz, expondo Pequim à volatilidade
dos preços e a atrasos logísticos.Internamente,
a Fitch destaca que a procura estruturalmente fraca afeta
simultaneamente empresas, famílias e setor público, criando um efeito em
cadeia sobre o crescimento económico.“A
procura interna estruturalmente fraca é o principal ponto de pressão
transversal, porque enfraquece simultaneamente os fluxos de caixa das
empresas, a capacidade de pagamento das famílias e as receitas do
Estado”, indica a agência.A situação é
agravada por pressões deflacionistas e intensa concorrência de preços,
que comprimem margens e reduzem lucros, num contexto de excesso de
capacidade produtiva.Segundo a Fitch, este
cenário está a traduzir-se num aumento das dificuldades no mercado de
trabalho, com impacto direto no consumo. “O mercado laboral é o
principal canal através do qual a menor rentabilidade das empresas afeta
o desempenho do crédito das famílias”, refere.Apesar
de Pequim apostar na indústria de alta tecnologia como motor de
crescimento, a agência alerta que essa estratégia pode não gerar ganhos
generalizados de rendimento ou um aumento significativo do consumo.No
plano externo, o conflito no Médio Oriente tende a agravar os custos
energéticos, mas com impacto limitado nos consumidores. “Os custos mais
elevados da energia são mais suscetíveis de aumentar os custos dos
produtores do que os preços ao consumidor”, aponta a Fitch.A
agência ressalva, no entanto, que a China dispõe de algumas almofadas
para absorver choques, como reservas estratégicas de petróleo e reservas
cambiais, o que coloca o país numa posição mais favorável do que outros
países asiáticos.