Processos de violência doméstica aumentaram 10,5% este ano nos Açores
15 de nov. de 2024, 09:45
— Carolina Moreira
A Coordenadora do Ministério Público (MP) da Comarca dos
Açores, Maria da Conceição Lopes, revelou que o número de
processos de violência doméstica registados aumentou 10,5% no primeiro
semestre de 2024, comparativamente ao período homólogo do ano passado.Segundo
Maria da Conceição Lopes, entre janeiro e junho deste ano, o MP
registou a entrada de 1089 processos de violência doméstica nos Açores,
mais 103 que os registados no mesmo período de 2023 (986 processos).Em
declarações ao Açoriano Oriental, à margem das VIII Jornadas dos Açores
contra a Violência, organizadas pela APAV Açores em Ponta Delgada, a
coordenadora do MP na Região destacou que o principal desafio para lidar
com este aumento de processos está associado à “falta de meios humanos
para combater o flagelo da violência doméstica”, considerando que este
problema também se estende à Polícia de Segurança Pública (PSP).“Temos
verificado que alguns processos de natureza urgente não têm um
tratamento tão rápido quanto seria desejável devido a essa falta de
meios da Comarca e de meios de investigação criminal da PSP. Estamos a
tentar, através de medidas de gestão, alterar isso”, confessa.Maria
da Conceição Lopes frisa, no entanto, que nos Açores existe “uma rede de
apoio às vítimas muito boa no âmbito da violência doméstica e a
investigação criminal também é feita de uma maneira muito capaz.
Portanto, temos fatores positivos para tentar colmatar os números”,
ressalva.A Coordenadora do MP no Açores garante ainda que, “ao longo
dos anos, tem-se assistido a uma maior condenação em penas de prisão
efetiva” para os agressores. “Não tenho os números comigo, mas essa é
uma garantia”, diz.De acordo com Maria da Conceição Lopes, alguns
dos processos também acabam suspensos e arquivados com a adesão dos
agressores ao programa Contigo, dando conta que, no primeiro semestre
deste ano, foram 65 os que iniciaram o programa na Região.“O
programa tem tido bons resultados, mas efetivamente para se saber o
nível de êxito teríamos que ver a taxa de reincidência daqueles
arguidos. E essa monitorização não está feita recentemente por falta de
recursos”, lamenta.A Coordenadora do MP nos Açores defende ainda que
a criação de um Gabinete de Apoio e Atendimento à Vítima (GAV) no
Departamento de Investigação a Ação Penal (DIAP) de Ponta Delgada seria
“uma mais-valia”.“Poderia abranger também a Ribeira Grande e Vila
Franca do Campo e seria uma mais-valia, porque teria técnicos designados
a apoiar as vítimas de qualquer crime e a prestar assessoria aos
procuradores que estão a trabalhar nos DIAP”, considera.Para a
responsável, falta apenas o “impulso” do Governo Regional para
concretizar o GAV em São Miguel, em articulação com o Governo da
República, uma vez que a nível nacional já existem 10 destes gabinetes.