Processos de privatização suspensos por “ética democrática e cautela”

6 de dez. de 2023, 16:21 — Lusa

“Num período onde preside a perturbação, através de uma rejeição de um Plano e um Orçamento e a mais que provável dissolução da Assembleia Legislativa, antecipação de eleições e um novo Governo, saído destas novas eleições, o que é exigível, na minha opinião, sob o ponto de vista de ética democrática é, em vez de tomar decisões precipitadas, aguardarmos com serenidade”, disse José Manuel Bolieiro.O chefe do executivo açoriano, que falava aos jornalistas na Universidade de Ponta Delgada, São Miguel, à margem da assinatura de um protocolo com a Fundação Gaspar Frutuoso para melhoramento fitossanitário de castas tradicionais de videiras do arquipélago, garantiu que “tudo foi feito com tempo”.“Por termos tempo, vale a pena a serenidade e vale a pena o sentimento essencial da ética democrática. Deixar o processo para a responsabilidade da legitimidade democrática do novo Governo saído das eleições antecipadas”, salientou.Na terça-feira, o executivo liderado por José Manuel Bolieiro anunciou a decisão de “suspender os processos públicos de alienação da Azores Airlines e dos hotéis das Flores e Graciosa” detidos pelo arquipélago.Segundo a nota divulgada, o Governo dos Açores comunicou aos conselhos de administração da Sata Holding S.A e da empresa Ilhas de Valor que “suspendessem a tramitação dos concursos públicos até que a situação se encontre clarificada e seja assumida decisão definitiva pelo novo Governo Regional, resultante das futuras eleições legislativas regionais”.“Esta é a forma mais responsável e mais conforme à ética democrática de decidir, no atual contexto, pela defesa do superior interesse dos Açores e dos açorianos”, justificou o executivo açoriano.Hoje, José Manuel Bolieiro disse aos jornalistas que foi por “respeito ao povo” e pela “ética democrática” que os processos foram suspensos.Sobre a Azores Airlines, adiantou que foi indicado à Holding SATA que comunique a situação de suspensão do processo de privatização à Comissão Europeia, no âmbito do plano de reestruturação que foi aprovado.Relativamente aos dois hotéis das ilhas das Flores e da Graciosa, atualmente explorados pela Fundação INATEL, o chefe do executivo açoriano indicou que irão ser mantidas as conversações com os empresários “que continuam na sua missão até haver uma nova decisão”.“Eu creio que podemos voltar à normalidade e continuidade do ‘status quo’ e, depois, já com o novo Governo, já com a legítima decisão do povo quanto à sua futura governação, poder, então, defender o interesse dos Açores e com a legitimidade democrática acautelada”, explicou.