Processos de inquérito a alegados casos de maus tratos na cadeia de Angra concluídos em junho
29 de mai. de 2025, 16:22
— Lusa/AO Online
“Os processos de inquérito que
correm termos no Serviço de Auditoria e Inspeção, coordenado por
magistrado do Ministério Público, estão a ter lugar em simultâneo, sendo
previsível que o processo que está em curso no Serviço de Auditoria e
Inspeção desta Direção Geral esteja concluído até ao final do mês de
junho”, adiantou fonte da DGRSP, numa resposta por escrito à agência
Lusa.Estão ainda a decorrer “processos na
Provedoria de Justiça, na Inspeção Geral dos Serviços de Justiça e no
Ministério Público” e a Direção-Geral garantiu que “tem prestado todos
os esclarecimentos que lhe têm sido solicitados e carreado a
documentação que estes organismos da Justiça lhe têm solicitado”.No
final de abril, a CNN Portugal denunciou o caso de um recluso, com uma
patologia do foro psiquiátrico, que terá sido colocado numa cela
sozinho, em roupa interior, sem colchão e só com dois cobertores, no
Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo.O
caso motivou uma queixa no Ministério Público, depois de o recluso ter
sido internado, com sinais de hipotermia, no Hospital da Ilha Terceira.A
CNN Portugal noticiou agora um caso semelhante que terá ocorrido no
mesmo estabelecimento prisional, em março, com outro recluso.Questionada
pela Lusa, fonte da DGRSP disse que recebeu uma denúncia anónima sobre
um caso que terá ocorrido em março, só depois de ter sido noticiada a
situação que terá ocorrido em abril.Questionada
sobre o motivo para os dois reclusos envolvidos nos casos denunciados,
que apresentavam problemas do foro psiquiátrico, não terem sido
colocados num estabelecimento prisional com clínica de psiquiatria,
fonte da DGRSP indicou que os dois reclusos estavam “a aguardar
transferência para clínica psiquiátrica no continente”, acrescentando
que essas transferências já ocorreram.“O
recluso que havia pegado fogo ao seu espaço celular [primeiro caso
noticiado], só não foi transferido para a Clínica de Psiquiatria e Saúde
Mental, anexa ao Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo
(masculino), logo a 28 de abril porque se encontrava hospitalizado”,
acrescentou.O recluso em causa foi
internado em 15 de abril depois de ter pegado fogo à sua cela, mas
regressou ao estabelecimento prisional quando teve alta, sendo novamente
internado em 26 de abril, com sinais de hipotermia, após alegadamente
ter estado vários dias sem roupa na cela.Quando
o primeiro caso foi divulgado, 47 guardas prisionais subscreveram um
abaixo-assinado a defender a atuação do diretor da cadeia.A
DGRSP confirmou que quatro subscritores do abaixo-assinado "solicitaram
que os seus nomes não fossem tomados em consideração, alegando motivos
de natureza pessoal e de má interpretação do texto que assinaram”.“Esta
Direção Geral registou os pedidos, pese embora não deixe de estranhar
que cidadãos adultos e profissionais responsáveis assinem
imponderadamente documentos, sejam eles de que natureza forem”, apontou.A
Direção-Geral reiterou que “tem tolerância zero para com comportamentos
desumanos” e reafirmou “o seu compromisso com o cumprimento dos
direitos humanos e da legalidade”, acrescentando que “está fortemente
apostada no apuramento dos factos e da respetiva responsabilidade”.Questionada
na quarta-feira, em Lisboa, sobre o segundo caso denunciado, a ministra
da Justiça, Rita Alarcão Júdice, disse que foram abertos processos de
investigação interna.“Se houver abusos,
nós não vamos compactuar com abusos. Se não houver abuso e se tiver sido
uma situação regular e ainda assim puderem ser introduzidas melhorias
no sistema prisional, também faremos aí o que estamos a fazer”, afirmou.A Lusa procurou uma reação do presidente do Governo Regional dos Açores, mas até ao momento não obteve resposta.