Processo judicial tenta travar construção de incineradora em São Miguel
15 de jul. de 2020, 17:59
— Lusa/AO online
Em
comunicado enviado hoje, o movimento cívico Salvar a Ilha, que junta
vários cidadãos e as associações ambientalistas ARTAC, ZERO, Amigos dos
Açores e Quercus – Núcleo de São Miguel, associa-se à ação, que deu
entrada no Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada no início
de julho, segundo adiantou à Lusa fonte do movimento.“Trata-se
de uma ação administrativa urgente de contencioso pré-contratual, que
tem como objetivo contestar a decisão da AMISM [Associação de Municípios
da Ilha de São Miguel] e da MUSAMI [empresa intermunicipal de gestão de
resíduos de São Miguel] de avançar com a construção de uma incineradora
da ilha de São Miguel”, explica a nota, adiantando que o tribunal
“concedeu às entidades responsáveis um prazo de 20 dias para contestarem
a ação”.O processo, movido por Paulo
Estêvão, deputado único do PPM/Açores na Assembleia Legislativa Regional
e signatário do movimento, defende que “a declaração de impacte
ambiental emitida em 2011 para o projeto da MUSAMI está caducada” e que
“o projeto não deverá avançar sem a realização de uma nova avaliação de
impacto ambiental”.Este é “o terceiro
concurso que a MUSAMI e a AMISM realizam para a construção de uma
incineradora em São Miguel”, lembram os contestatários, que apontam que
“nenhum dos projetos levados a concurso por estas entidades possibilita o
cumprimento das metas de reciclagem”.Além
disso, este movimento acredita que “todos os projetos apresentados
violam os princípios básicos da gestão de resíduos e da economia
circular que norteiam toda a estratégia europeia relativa aos resíduos”.“É
fundamental aproveitar os recursos existentes na região, como é o caso
da incineradora da ilha Terceira, que está sobredimensionada, e já
demonstrou ter capacidade e disponibilidade para receber os resíduos não
recicláveis provenientes de São Miguel”, lê-se na nota.O
movimento Salvar a Ilha considera, ainda, “lamentável que uma região
que se posiciona como destino sustentável invista 58 milhões de euros
num projeto que irá inviabilizar o cumprimento das metas de reciclagem e
comprometer a gestão de resíduos nos próximos 30 anos”.A instalação de uma incineradora na ilha de São Miguel tem sido alvo de debate ao longo dos últimos anos.Em
2016, a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel decidiu, por
unanimidade, avançar com a construção de uma incineradora de resíduos,
orçada em cerca de 60 milhões de euros.Além
das contestações por parte de associações ambientalistas, o concurso
para a construção da incineradora na maior ilha dos Açores esteve sob
alçada da justiça devido a queixas por parte de um dos concorrentes, a
empresa Termomeccanica, que foi excluída em detrimento do consórcio
luso-alemão formado pela CME e Steinmüller Babcock Environment.Em
outubro passado, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada
decidiu anular a adjudicação da construção da incineradora ao consórcio
CME/Steinmuller Babcok Environment, por parte da MUSAMI.Em
dezembro, os seis municípios de São Miguel decidiram avançar com um
novo concurso para a construção de uma incineradora na ilha açoriana,
com menos 30% da capacidade inicialmente prevista.A abertura de concurso público internacional foi publicada em Diário da República em 30 de março.