Câmara da Horta exige 1,2 milhões de euros de indemnização a empreiteiro
21 de dez. de 2024, 09:00
— Lusa/AO Online
“Esta indemnização
contempla o valor da empreitada, o valor devolvido pelo município à
União Europeia, porque este projeto tinha sido cofinanciado por fundos
europeus, além dos custos com os ensaios realizados, todas as inspeções
técnicas feitas ao local, e agora também a demolição, que custa ao
município 373 mil euros, acrescidos de IVA”, explicou Carlos Ferreira,
presidente da autarquia, em declarações aos jornalistas.Em
causa estão erros estruturais detetados nas duas placas de betão do
parque de estacionamento da Rua de São João, com três pisos e capacidade
para 140 viaturas, que apresentavam fissuras e abatimentos, e que foram
alvo de testes por parte do Laboratório Nacional de Engenharia Civil
(LNEC).A obra, integrada no projeto de
requalificação da frente mar da cidade, ficou concluída ainda pelo
anterior elenco camarário
mas nunca abriu as portas devido a erros de construção, e será demolido
em janeiro de 2025, depois da autarquia ter lançado dois concursos
públicos (o primeiro dos quais ficou deserto), para deitar abaixo todo o
edifício.“Esta é uma solução mais rápida,
menos exigente tecnicamente, menos dispendiosa para o erário público e é
também a solução que oferece melhores condições de confiança aos
faialenses”, justificou, na altura, Carlos Ferreira.A opção pela
demolição total do parque é contestada por José Leonardo Silva, antigo
presidente da Câmara da Horta, e atual vereador do PS, que defendia a
demolição apenas das placas de betão e a construção de novas lajes,
considerando que, além de poupar dinheiro, o executivo poderia ter
poupado também no tempo.“Para demolir e
recuperar as lajes, custava 513 mil euros, sem termos de devolver nenhum
dinheiro de fundos comunitários, mas a Câmara optou por demolir tudo
por cerca a de 450 mil euros [incluindo o IVA], e ainda devolveu
dinheiro de fundos comunitários. Foi um erro, que vai ser prejudicial.
Podia ser muito mais barato e podia estar o parque hoje a funcionar”,
insistiu o autarca socialista, em declarações à Lusa.O
processo judicial agora interposto pela Câmara da Horta pretende também
apurar responsabilidades pelos erros de construção, que poderão ser
partilhados pelo empreiteiro (que declarou, entretanto, insolvência),
pela equipa projetista e pela empresa de fiscalização que estiveram
associadas à obra.O município pretende, no
futuro, construir no local um parque de estacionamento para 87 viaturas
e uma zona residencial com 16 apartamentos, a custos acessíveis.