Processo de Isabel dos Santos “interessa” a Angola e Portugal que mantêm contactos regulares
2 de dez. de 2022, 12:11
— Lusa/AO Online
“Vai
havendo contactos, porque é uma matéria que interessa realmente a ambos
os países. Os dois países têm dossiers que se relacionam com questões
ligadas à essa cidadã angolana, que não sei se tem nacionalidade
portuguesa”, disse Carlos Adérito Teixeira em declarações à agência
Lusa, em Luanda, onde participa do 19º Encontro dos Procuradores-Gerais
da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A
Interpol emitiu a 03 de novembro um mandado de captura internacional
para localização e extradição em nome da empresária angolana Isabel dos
Santos, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, no
qual se menciona que a empresária costuma estar em Portugal, Reino Unido
ou Emirados Árabes Unidos.Ressalvando que
"não acompanha de perto" estes dossiers e que a Procuradoria-Geral da
República tem um setor que se dedica em exclusivo à cooperação
judiciária internacional, Carlos Teixeira adiantou que “ambos os países
sabem que ela (Isabel dos Santos) não residirá em Portugal" e que "se
passa às vezes, dado a situação de fronteiras abertas de Portugal, as
coisas não são fáceis para se chegar ao contacto com ela". "Não
acompanho de perto esses dossiers, por isso não estou atualizado sobre
pedidos recentes”, reforçou, adiantando que conhece mais a "situação
pelos jornais, pelas notícias e pelas declarações que têm sido feitas
pelo procurador-geral de Angola".Sobre
cartas rogatórias de Angola a Portugal para diligências sobre o processo
que envolve a empresária angolana, no âmbito do mandato internacional
emitido pela PGR angolana, Carlos Adérito Teixeira referiu que Portugal
recebe vários processos e pedidos.“É uma
constante recebermos processos e da mais variada ordem, a PGR portuguesa
tem um setor que se dedica em exclusividade à essa matéria da
cooperação judiciária internacional e chegam de forma regular pedidos”,
explicou.“E nós emitimos pedidos das mais
diversas situações, de notificações a pedir diligências ou extradição ou
execução de decisões, é normal que assim seja”, acrescentou.No
âmbito do encontro de procuradores, Carlos Adérito Teixeira assinalou
ainda “excelente” cooperação entre os ministérios públicos (MP) angolano
e português.As dificuldades “resultam
mais de problemas de ordem legal, quer de um país quer de outro, por nem
sempre haver coincidência, mas julgo que houve sempre vontade, no plano
do MP, de se chegar a bom porto com as solicitações de parte a parte”,
argumentou.O “Papel do Ministério Público
na Proteção Ambiental” é o tema deste encontro dos procuradores da CPLP,
que começou hoje se prolonga até sexta-feira.“Esses
encontros, são importantes para abrir portas aos MP dos dois países
para o estreitamento das relações entre todos. A circunstância de ser
presencial solidifica a relação e a colaboração”, salientou o vice-PGR
português.O Procurador-Geral da República
de Angola prometeu, na segunda-feira, que o processo contra Isabel dos
Santos vai avançar, mesmo que a empresária não preste declarações no
âmbito do mandado de detenção internacional pedido pelas autoridades de
Angola.Helder Pitta Grós, que falava em
Luanda, afirmou que desconhece o paradeiro da filha do ex-presidente
angolano e afirma que foram feitas várias tentativas para ouvir a
empresária que, em entrevista à emissora alemã DW e através das suas
redes sociais, tem insistido ter estado sempre disponível para
esclarecer as “inverdades” a seu respeito, dizendo que não há interesse
em ouvi-la.“Da parte do Ministério Publico
houve uma série de diligências no sentido de que fosse notificada e
tivesse conhecimento do que se passava”, destacou Pitta Grós que
confirmou que foi emitido no início do mês um mandado de captura
internacional e que as autoridades angolanas estão a trabalhar com a
Interpol na localização de Isabel dos Santos“Estes
mandados de captura internacional são entregues sempre à Interpol. Aqui
em Angola temos uma representação da Interpol e foi essa representação
que fez seguir toda a tramitação necessária até à sede da Interpol que, a
partir daí, vai disseminar por todos os países que fazem parte” da
organização, disse.O mandado foi emitido
apenas agora, dois anos depois arresto preventivo de bens, contas e
participações sociais de Isabel dos Santos em Angola e do escândalo
Luanda Leaks, pois as autoridades esperavam que a empresária se
mostrasse disponível para responder.