Processo de adesão da Turquia à UE deve manter-se congelado
7 de mai. de 2025, 17:21
— Lusa/AO Online
Num
relatório, aprovado com 367 votos a favor, 74 contra e 187 abstenções,
os deputados do Parlamento Europeu (PE) sublinharam que, longe de
corrigir as deficiências democráticas identificadas quando os contactos
foram suspensos em 2018, “a regressão” no Estado de direito e nos
direitos fundamentais persiste.Na
sessão plenária em que o relatório foi aprovado, que decorreu em
Estrasburgo (França), os eurodeputados defendem outros “quadros de
relações” que estabeleçam áreas de cooperação em matérias de interesse
estratégico comum.A Turquia foi reconhecida como candidata à adesão à UE em 1999, mas as negociações de adesão estão congeladas desde 2018.Os
eurodeputados apelaram a Ancara e à UE para que continuem a trabalhar
no sentido de uma “parceria mais estreita, dinâmica e estratégica”, com
especial ênfase em questões como a luta contra as alterações climáticas,
a segurança energética, a cooperação antiterrorista e a estabilidade
regional.Os eurodeputados sublinharam
ainda que existe um fosso significativo entre os valores europeus e os
da Turquia, cujo governo continua a adotar leis e medidas que limitam o
Estado de direito e os direitos fundamentais.Os
eurodeputados insistiram que o regime de Erdogan não conseguiu resolver
as deficiências democráticas e expressaram “profunda preocupação” com a
contínua deterioração dos princípios democráticos na Turquia e com a
repressão sistemática das vozes dissidentes.O
plenário condenou igualmente a resposta violenta às recentes
manifestações pacíficas e a acusação de centenas de participantes em
processos judiciais acelerados, sem garantias ou provas que sustentem
uma acusação criminal.Os eurodeputados
fizeram igualmente eco dos ataques contra o presidente da Câmara de
Istambul, Ekrem Imamoglu, afirmando terem motivações políticas para
impedir que um candidato com hipóteses de desafiar Erdogan nas próximas
eleições prospere, empurrando assim a Turquia para um modelo de “governo
autoritário”.Neste contexto, os
eurodeputados lembraram que os critérios de adesão à UE são “absolutos e
não negociáveis” e incluem, por exemplo, a existência de instituições
estáveis que garantam a democracia, o Estado de direito, os direitos
humanos, a proteção das minorias, o respeito pelo direito internacional,
as boas relações com os países vizinhos e o alinhamento com a política
externa e de segurança comum da UE.Por
outro lado, condenaram também a recente “visita ilegal” de Erdogan às
zonas ocupadas da República de Chipre e as “declarações provocatórias”,
que descreveram como uma ação unilateral que equivale a uma intervenção
direta ilegítima contrária aos interesses das comunidades cipriotas
grega e turca.Noutro âmbito, o Parlamento
Europeu exigiu a libertação “imediata e incondicional” do jornalista
sueco Joakim Medin, detido na Turquia no final de março e posteriormente
condenado por um tribunal de Ancara por “insultar” Erdogan.Os
eurodeputados “condenam veementemente” esta detenção e “reafirmam que a
liberdade de imprensa é um direito fundamental e um valor essencial da
União Europeia”, acrescentou o texto aprovado durante a votação em
sessão.Trata-se de uma alteração associada
a um relatório sobre as relações UE-Turquia, sem valor legislativo.
Este aditamento foi defendido por três eurodeputados do grupo da
esquerda, dois suecos e um cipriota.Joakim
Medin, de 40 anos, repórter do jornal sueco Dagens ETC, foi detido a 27
de março, à chegada a Istambul, onde se encontrava para cobrir as
manifestações causadas pela detenção, a 19 de março, de Imamoglu, o
principal rival de Erdogan.