Problemas das ilhas mais pequenas em debate no parlamento dos Açores
16 de jan. de 2020, 19:01
— Lusa/AO Online
Na
primeira declaração, o deputado único do PCP, João Paulo Corvelo,
criticou as “desvantagens estruturais” que se vivem em algumas ilhas da
região, que estão muito dependentes do investimento público em setores
estratégicos para garantir o seu desenvolvimento, dando como exemplo o
que se passa nas Flores.“A tendência para o
êxodo de algumas das nossas ilhas, somada ao envelhecimento
populacional generalizado da Região, torna-se muito preocupante,
sobretudo para quem lá ainda vive e trabalha”, lamentou o parlamentar
comunista, defendendo a necessidade de medidas concretas para combater o
“agravado despovoamento” que se verifica.João
Paulo Corvelo entende que este problema está relacionado com a falta de
emprego ou de habitação para os jovens da ilha, lamentando que as
poucas ofertas de emprego no setor público na ilha sejam preenchidas
apenas por quem é militante socialista.“Os
florentinos percebem perfeitamente bem, que quando abre uma vaga para
um emprego público na ilha das Flores, a maior parte dessas vagas já
estão atribuídas para quem tem cartão cor-de-rosa. E os senhores sabem
disso”, insistiu o deputado comunista, dirigindo-se à bancada da maioria
socialista no parlamento açoriano.As
críticas do PCP geraram o protesto do líder parlamentar do PS, Francisco
César, que recusa a ideia de que o Governo Regional favoreça os
militantes socialistas em detrimento de candidatos a emprego que militem
ou sejam simpatizantes de outros partidos.“Com
o PS não é admissível que alguém possa ser discriminado por ter um
cartão do PS, ou de qualquer outra cor. Para nós é ponto assente. As
pessoas devem entrar na Administração Pública pelo seu mérito e pelos
resultados dos seus concursos”, sublinhou o deputado socialista.A
segunda declaração política foi apresentada por Paulo Estêvão, do PPM,
que criticou a demora do Governo Regional em encontrar uma solução para o
abastecimento de mercadorias para a ilha do Corvo, que não recebe
navios desde 06 de dezembro, devido às más condições climatéricas.“É
preciso contratar a Força Aérea para que sejam feitas mais viagens de
abastecimento”, insistiu o parlamentar monárquico, recordando que os
navios fretados pelo Governo para a abastecer a mais pequena ilha do
arquipélago, após os estragos provocados no porto das Lajes das Flores
pelo furacão Lorenzo, “não conseguem fazer a ligação no inverno”.Iasalde
Nunes, deputado socialista também eleito pelo Corvo, lembrou que foi o
mau tempo que impediu o transporte de mercadorias para a ilha,
garantindo que o problema ficará ultrapassado já na próxima semana.“Felizmente
já existe uma data para esta viagem. Na segunda-feira, o 'Cecília A'
seguirá para o Corvo e fará uma viagem Horta/Corvo, Corvo/Flores,
Flores/Corvo, Corvo/Horta”, realçou o parlamentar socialista, afirmando
esperar que o abastecimento àquela ilha venha a ficar normalizado com
esta operação. A secretária regional dos
Transportes, Ana Cunha, explicou também no parlamento que durante este
período de suspensão das ligações marítimas para o Corvo, a SATA
conseguiu transportar, até 01 de janeiro, 6,5 toneladas de mercadorias
para a mais pequena ilha dos Açores.A
bancada da maioria socialista, através da deputada Renata Botelho,
apresentou também uma terceira declaração política na Assembleia
Regional, para realçar todas as iniciativas que o seu partido e também o
executivo regional já realizaram a favor do bem-estar animal nos
Açores.“Nenhum outro partido nesta câmara
tem lutado como o PS por este desígnio, nem anseia mais do que nós o
primordial objetivo de erradicar – definitiva e consistentemente – o
abate de animais de companhia”, frisou a parlamentar socialista,
lamentando que outras forças políticas, que “nunca pensaram seriamente
neste assunto”, mostrem agora “um claro e despudorado aproveitamento da
visibilidade e do mediatismo” que este tema tem gerado.