Problema crónico das urgências não será resolvido com modelo rotativo
13 de out. de 2023, 11:53
— Lusa/AO Online
No Porto, à margem de uma
cerimónia no Hospital de Santo António, Manuel Pizarro não quis
antecipar o que acontecerá hoje à tarde na reunião que vai decorrer no
Hospital de São João entre o primeiro-ministro e o diretor executivo do
Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas avançou que “serão anunciadas
medidas que precedem as urgências”.“Há [a
implementar] um conjunto de reformas que nos vão permitir lidar com um
problema, que no nosso país é crónico, que são as urgências (…). Serão
anunciadas medidas que precedem as urgências. Temos de facilitar o
acesso das pessoas a outros níveis de cuidados quando estão numa
situação de doença aguda, não forçosamente grave”, disse Manuel Pizarro
sem precisar quando serão anunciadas essas medidas.Questionado
se em causa está um plano semelhante ao que foi lançado para as
maternidades, ou seja de abertura rotativa, o ministro da Saúde disse:
“Não é disso que estamos a falar”.“Estamos a falar da utilização o melhor possível dos recursos que temos, de generalizar experiências positivas”, completou.A
título de exemplo, Pizarro recordou que, no Porto, os centros
hospitalares de São João e de Santo António partilham a urgência de
oftalmologia.“Há mais de uma década que o
funcionamento da urgência de oftalmologia é dividido entre os dois
principais hospitais centrais da cidade: numa quinzena funciona no Santo
António e em outra no São João”, exemplificou.Apesar
da insistência dos jornalistas, Manuel Pizarro não adiantou que
conclusões poderão surgir da reunião de hoje com o diretor executivo e o
primeiro-ministro, em que também participará, reiterando que “o Governo
está a promover uma profunda restruturação no SNS”.“Mas
há mudanças organizacionais que têm de ser implementadas e são essas
que terão continuidade após instalação da direção executiva”, referiu.A
generalização das ULS (Unidades de Saúde Locais) e das USF (Unidades de
Saúde Familiar) para articular os cuidados primários e os hospitais de
forma a que “as pessoas encontrem respostas em outros pontos do sistema
de saúde que não a urgência”, foram medidas novamente mencionadas pelo
ministro que também recordou a intenção de criar equipas de
profissionais dedicados às urgências.“Apesar
das dificuldades que reconheço e dos problemas que não posso nem devo
ignorar, a verdade é que o serviço de urgências tem continuado a
atender, nestes últimos dias, como sempre fez. Temos feito cerca de
19.000 atendimentos diários no serviço de urgência sem quebra de
qualidade no atendimento embora, às vezes, é verdade, as pessoas tenham
de se deslocar mais do que seria expectável”, concluiu.