Primeiro português na classe rainha acredita no pódio de Miguel Oliveira
MotoGP/Portugal
19 de nov. de 2020, 12:56
— Lusa/AO Online
Em declarações à agência Lusa, o antigo piloto
recorda como as coisas "eram muito mais difíceis" quando disputou a
prova no circuito de Jerez de la Frontera, em Espanha, em 1998, com uma
Suzuki de 500cc a dois tempos."Até o nome
do campeonato se alterou [atualmente chama-se Mundial de MotoGP]. As
motas são conceitos completamente distintos. São motas a quatro tempos,
na altura eram a dois tempos. Agora a eletrónica comanda tudo", disse
Felisberto Teixeira, que vê como "única semelhança é que é o topo do
motociclismo mundial".Felisberto Teixeira
tinha 28 anos quando foi convidado a participar no Grande Prémio de
Espanha de 500cc, a categoria rainha da altura. Atualmente
ligado ao ciclismo e à equipa W52-FC Porto, começou por disputar o
Campeonato Nacional de Velocidade em motociclismo. "Após
ganhar o primeiro campeonato, fui convidado para uns testes da seleção
nacional. Aí começa a minha carreira internacional", recorda.Em 1999, disputou o Mundial de resistência, com a equipa Suzuki Shell, que acabaria por se sagrar campeã mundial um ano depois."Saí
da equipa a meio do ano, em 1999. E estava a fazer o Mundial de
Supersport, na Honda Galp", conta, tendo somado "alguns pódios", antes
de ser convidado a participar no Grande Prémio de Portugal de 2000, mas
na categoria intermédia, na altura reservada para as motas de 250cc a
dois tempos, em que sofreu problemas mecânicos.Passados
20 anos, Felisberto Teixeira garante que, "hoje, as motas são mais
fáceis de conduzir, em grande parte devido à eletrónica". "Hoje há controlo de tração, tudo e mais alguma coisa", frisa.Sobre
a mota de 500cc com que disputou a prova em Espanha, em 1998, recorda,
em jeito de brincadeira, que "era uma coisa engraçada de se guiar". "Eram muito difíceis. Impunham respeito porque eram muito difíceis. Daí o facto de se tornarem mais interessantes", sublinha.O
antigo piloto considera que "hoje em dia, se calhar, é mais exigente
fisicamente. Em cada tempo há as suas dificuldades", aponta, sublinhando
que correr com uma mota de 500cc "era o realizar de um sonho", em que
"tudo acontece mais depressa e de uma forma mais bruta"."A
ideia, inicialmente, era fazer o campeonato completo. Foi uma porta que
se abriu, em que o pensamento foi sempre para o ano seguinte. Era uma
equipa patrocinada pela Shell Austrália. Como era piloto Shell, houve
conversações e convidaram-me. Não houve seguimento porque as coisas não
devem ter funcionado como esperavam. A equipa acabou por desaparecer",
lamentou. Quanto ao Grande Prémio de
Portugal, da 14.ª e última prova do Mundial de MotoGP, a disputar entre
sexta-feira e domingo, Felisberto Teixeira disse acreditar que Miguel
Oliveira pode lutar por um lugar no pódio."O
Miguel é um piloto que está garantidamente nos cinco melhores [do
mundo]. A mota já não será má e acredito que melhore ainda mais. Vamos
sonhar um bocadinho mas gostava muito de ver o Miguel lutar por uma
vitória. Um pódio já era bom", concluiu.