Primeiro-ministro sudanês visita Darfur
4 de nov. de 2019, 17:22
— Lusa/AO online
"As negociações de paz
foram realizadas em salas fechadas sem levar em conta as visões e ideias
dos deslocados e refugiados, e é por isso que (no passado) havia uma
paz incompleta, não muito sustentada", disse Abdallá Hamdok, no campo de
Abu Shok, perto da cidade de Al Fashir.Abdallá
Hamdok considerou que o estabelecimento de uma paz "justa e abrangente"
é uma prioridade para o executivo, que assegura ter em conta "opiniões
dos refugiados e das pessoas deslocadas, as mais afetadas pelas guerras
no país".Por seu turno, o chefe dos campos
de Al Shok e Al Salam, Mohamed Adam, pediu para que fossem levados ao
Tribunal Penal Internacional todos os responsáveis pelo "genocídio,
limpeza étnica e crimes contra a humanidade" no Darfur.Entre
estes, Mohamed Adamm mencionou o "chefe do antigo regime", referindo-se
ao Presidente deposto Omar al Bashir, que foi afastado do poder no
início do ano, na sequência de um golpe de estado e da subsequente
criação de um governo de transição acordado pela oposição e pela junta
militar.Na sua conta no Twitter, o
primeiro-ministro destacou que Al Fashir é a primeira cidade de uma
série de outras onde se deslocará a seguir, no âmbito de visitas que
pretende fazer aos vários estados do país para ouvir a população mais
marginalizada, tendo como objetivo alcançar a paz e a estabilidade.O
governo de transição do Sudão e a aliança dos grupos rebeldes da Frente
Revolucionária assinaram um acordo que estabeleceu o cessar-fogo e um
roteiro, em 21 de outubro, e as negociações serão retomadas em Yuba em
21 de novembro.O Exército sudanês, que
depôs o ditador, chegou a um acordo com os grupos civis e os partidos da
oposição, mas os grupos rebeldes não aderiram ao acordo por
considerarem que não tinha em conta as suas reivindicações.