Primeiro-ministro sublinha que regime de autorizações aos EUA nas Lajes vem do Governo PS
Irão
Hoje 16:47
— Lusa/AO Online
Luís Montenegro
falava no debate quinzenal, no parlamento, em resposta ao líder
parlamentar do PSD, onde afirmou ainda ter a convicção de que se o
primeiro-ministro fosse atualmente do PS “faria, mais coisa menos coisa,
exatamente o mesmo que o Governo de Portugal está a fazer”.“Antes
do ataque inicial dos Estados Unidos ao Irão não houve nenhuma
informação adicional a Portugal. Houve, naturalmente, o acompanhamento
que nós fazemos permanente de todos os sobrevoos e aterragens na base
das lajes”, explicou Montenegro.Segundo o
primeiro-ministro, esse acompanhamento é feito ao abrigo de um
decreto-lei de 2017 aprovado “por um governo e uma maioria do PS, nessa
circunstância até uma maioria que era constituída no parlamento, também
pelos partidos da esquerda”, no período da denominada “geringonça”.“Talvez
o maior reconhecimento que nós podemos fazer do sentido de
responsabilidade e de estado do Partido Socialista é considerarmos - e
eu pessoalmente considero - que se o Partido Socialista estivesse aqui
sentado faria mais coisa menos coisa exatamente o mesmo que o Governo de
Portugal está a fazer”, disse.Montenegro
salientou que este decreto-lei prevê “uma autorização anual permanente”
atribuída a cerca de 50 países, incluindo os Estados Unidos, e que
apenas implica um dever de notificação relativamente “à origem, ao
destino e à carga das aeronaves que passam pela base das Lajes”, tendo
Portugal 24 horas para se opor.“Não houve
nenhuma informação a esse propósito capaz de nos dar o enquadramento
para objetarmos às notificações que recebemos dos Estados Unidos da
América, nosso aliado da NATO”, afirmou, referindo-se ao período antes
do ataque, no sábado.Tal como já tinha
explicado na primeira intervenção, já depois do ataque dos EUA e Israel
ao Irão, no sábado, Portugal foi instado a autorizar a utilização da
base das lajes, agora nos termos do acordo técnico com os Estados
Unidos.“Esse pedido formal ocorreu na
tarde de dia 28, mas nós antecipamo-lo e a nossa consulta ao Sr.
Presidente da República, ao Sr. Presidente da República eleito e aos
partidos políticos com maior representatividade nesta câmara, ocorreu na
tarde anterior, perante aquilo que eram as notícias a que nós não somos
alheios”, explicou.Montenegro voltou a
salientar que a autorização dada no sábado por Portugal – depois de
voltar a contactar os mesmos protagonistas – foi sujeita a três grandes
condições: serem operações de natureza defensiva ou de retaliação, serem
operações necessárias e elas próprias proporcionais e visarem
exclusivamente alvos militares.“O Governo
de Portugal, este, como todos aqueles que o antecederam, defendeu sempre
o primado do direito internacional, da carta das Nações Unidas, das
responsabilidades que o multilateralismo impõe, esse é o caminho da
relação entre os povos”, começou por afirmar.No
entanto, sublinhou que, na sequência do ataque dos Estados Unidos e
Israel, o Irão respondeu atacando vários países da região, muitos deles
“parceiros e amigos de Portugal”, além do Chipre, membro da União
Europeia, e agora recentemente sobre a Turquia, que é membro da NATO. “Esta
resposta diz muito de uma das partes que está envolvida nesse
conflito”, afirmou, ressalvando que Portugal manteve relações
diplomáticas com todos estes países, incluindo com a diplomacia do Irão.Antes
o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, tinha assegurado que, neste
conflito, a sua bancada não hesita entre os Estados Unidos da América e o
Irão.“Perante uma opção que é poder estar
ao lado dos nossos aliados históricos ou de um Estado que
reiteradamente viola os direitos humanos, o direito das minorias e o
direito das mulheres, nós não temos dúvidas, nós estamos ao lado dos
nossos aliados históricos”, afirmou.