Primeiro‑ministro indiano promete punir responsáveis por fraude em exames na origem de protestos estudantis

Hoje 15:49 — Lusa/AO Online

"Decidimos acelerar os processos judiciais e punir severamente os envolvidos" nas fraudes, declarou Modi na rede social X, pronunciando‑se pela primeira vez sobre a contestação em curso."Nada é mais importante do que o bem‑estar e o futuro da nossa juventude", acrescentou o chefe do governo ultranacionalista hindu, advertindo que "aqueles que tentam prejudicar o futuro da juventude sofrerão as consequências".A polícia da capital reprimiu com dureza, na segunda‑feira, uma manifestação de dezenas de milhares de estudantes e jovens que tentavam dirigir‑se ao Parlamento para exigir a demissão do ministro da Educação.Segundo a polícia, os confrontos provocaram 180 feridos, dois terços dos quais agentes das forças de segurança; os manifestantes falam em várias centenas.Desde então, vários milhares de jovens continuam a ocupar, dia e noite, a esplanada de Jantar Mantar, no centro da capital indiana.O movimento exige a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, que responsabiliza por um escândalo nacional de venda ilegal de provas do exame de acesso a cursos de medicina, cuja anulação afetou mais de dois milhões de estudantes. Segundo os meios de comunicação locais, a decisão terá levado a vários suicídios.A contestação, considerada a mais séria enfrentada por Modi desde a sua reeleição para um terceiro mandato em 2024, é organizada por um movimento online criado em maio por um estudante indiano e auto‑intitulado "partido do povo das baratas".Os manifestantes estão acampados há um mês num espaço destinado a protestos, a poucos quilómetros do Parlamento, tendo o movimento ganho força depois de um conceituado engenheiro e ativista ambiental, Sonam Wangchuk, ter iniciado uma greve de fome em resposta ao escândalo dos exames.Líderes importantes do Governo de Modi adotaram uma linha dura contra o movimento, com o ministro da Educação a acusar os manifestantes de agirem contra a nação, enquanto outros ministros reconheceram as preocupações dos estudantes, mas insistiram que não há necessidade de conversações ou negociações com o partido.O líder da oposição na câmara alta do Parlamento, Mallikarjun Kharge, denunciou o uso da força pela polícia para dispersar os manifestantes. Membros da oposição juntaram‑se ao protesto na terça‑feira e apelaram à demissão do primeiro‑ministro.