Primeiro-ministro eslovaco diz-se farto de Zelensky
Ucrânia
10 de jan. de 2025, 16:30
— Lusa/AO Online
“Não
estou aqui para dar a mão ao Presidente Zelensky. Admito que por vezes
estou farto dele. Anda pela Europa a pedir esmolas”, disse Fico numa
audição da comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros.Fico
referia-se à persistência de Zelensky em solicitar ajuda militar e
financeira aos aliados europeus para defender a Ucrânia da agressão
russa a que está sujeita há quase três anos.No
dia 09, Zelensky participou na abertura da 25.ª reunião do Grupo de
Contacto para a Defesa da Ucrânia, na base aérea norte-americana de
Ramstein, na Alemanha, para discutir com os seus principais aliados
formas de apoio ao país no combate à invasão russa.Fico
reagiu também com veemência à decisão de Zelensky em não renovar o
contrato de trânsito de gás com a Gazprom para o gasoduto Druzhba, que
priva a Eslováquia de ter acesso a combustível mais barato e de impor
taxas de trânsito para o gás fornecido a países terceiros, estimadas em
cerca de 500 milhões de euros por ano.No
início de janeiro, Zelensky cortou o fluxo de gás russo em trânsito pelo
seu território, o que fez prejudicou a Eslováquia, um país altamente
dependente do combustível russo.Fico
avançou na altura que a “decisão unilateral” do Presidente ucraniano
significará uma perda anual de "quase 500 milhões de dólares" para a
Eslováquia, e acusou o líder ucraniano de sabotar as finanças da União
Europeia (UE).Durante a mesma sessão
parlamentar, o primeiro-ministro eslovaco deu explicações sobre a sua
recente e controversa viagem a Moscovo, afirmando que o objetivo do seu
encontro com o Presidente russo Vladimir Putin consistia na negociação
de formas alternativas de fornecimento de gás natural russo.Confrontado
com questões da oposição, Fico afirmou que “Moscovo teve as suas razões
para violar o direito internacional” e invadir a Ucrânia em fevereiro
de 2022.Segundo o primeiro-ministro, a
Eslováquia é um dos países mais afetados pelo conflito entre Moscovo e
Kiev, que já privou a população eslovaca do fornecimento de gás durante a
crise de 2008.“Se a Ucrânia nos enganar,
como nos enganou em 2008, e nos prejudicar, seremos os primeiros a
suspender qualquer ajuda humanitária” a Kiev, disse o chefe do Governo
eslovaco.