Primeiro-ministro do Canadá ameaça com antecipação de eleições legislativas
21 de out. de 2020, 12:26
— Lusa/AO Online
“Se o parlamento
determinar que não tem mais confiança neste Governo, infelizmente, é o
mesmo que dizer, sim, eleições antecipadas”, afirmou o líder liberal.A
oposição conservadora apresentou uma moção para a criação de uma
comissão parlamentar de inquérito para investigar um escândalo ético que
abalou no verão passado o governo minoritário de Trudeau.A
comissão, em que a oposição será maioritária, disporá de vastos poderes
para aprofundar o tema “Unidos”, nome em português da associação de
caridade We Charity, que está no centro do escândalo.Atualmente
dissolvida, a associação tinha recebido um importante contrato do
governo no início do verão, quando remunerou membros da família Trudeau.Como
alternativa, o Governo está a propor a criação de outra comissão, que
controlará e examinará todos os gastos que fez desde o início da
pandemia em março.A resolução da oposição conservadora deve ser submetida a votação na Câmara dos Comuns nos próximos dias.No
entanto, Trudeau decidiu que faria desta votação uma questão de
confiança no seu governo, ao mesmo tempo em que reafirmou que não queria
novas eleições.“Caberá aos partidos da
oposição decidir se querem continuar a fazer funcionar este parlamento
(...) ou se, como os conservadores, perderam a confiança neste governo”,
insistiu Trudeau, que falava numa conferência de imprensa.“Temos
perguntas razoáveis. Não é a nossa prioridade ter uma eleição, mas os
canadianos precisam de respostas para (saber) a verdade e é por isso que
temos hoje esta moção hoje”, disse Erin O'Toole, a nova líder do
Partido Conservador.Esta “guerra de
desgaste”, como considera a France-Press (AFP), surge duas semanas
depois de o governo ter sobrevivido a um voto de confiança no parlamento
sobre as suas principais prioridades para a recuperação económica do
país.Na ocasião, o Governo obteve o apoio
do Novo Partido Democrático (NDP, esquerda), o terceiro grupo de
oposição na Câmara, evitando eleições antecipadas, apenas um ano após as
legislativas de outubro de 2019.Os separatistas do NDP e do Bloco Québécois ainda não indicaram se votarão a favor ou contra a moção conservadora.