Primeiro-ministro desconhecia antecedentes e aguarda esclarecimento cabal
TAP
27 de dez. de 2022, 15:50
— Lusa/AO Online
Em
resposta a perguntas escritas da agência Lusa, António Costa declarou
que “desconhecia em absoluto os antecedentes” da situação e solicitou
esclarecimentos aos ministros das Finanças, Fernando Medina, e das
Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos. “Naturalmente solicitei esclarecimentos aos Ministros que tutelam a TAP, que estão a avaliar a questão”, disse. Questionado
sobre as declarações de Alexandra Reis, na segunda-feira, à Lusa, o
primeiro-ministro disse: "Quanto à Secretária de Estado do Tesouro,
registo que se prontificou a devolver qualquer quantia que não lhe fosse
devida e que recebeu nos termos acordados entre os advogados”. Sobre
se mantém a confiança na governante, o chefe do Governo respondeu que
“quanto ao mais”, aguarda “o esclarecimento cabal dos factos e da sua
qualificação jurídica”. A secretária de
Estado do Tesouro, Alexandra Reis, recebeu uma indemnização no valor de
500 mil euros por sair antecipadamente do cargo de administradora
executiva da companhia aérea portuguesa, quando ainda tinha de cumprir
funções durante dois anos. Meses depois, foi nomeada pelo Governo para a
presidência da Navegação Aérea de Portugal (NAV).O caso, noticiado no passado sábado pelo Correio da Manhã, mereceu críticas de toda a oposição.Os
ministros das Finanças e das Infraestrutura e Habitação pediram à
administração da TAP “informações sobre o enquadramento jurídico do
acordo” celebrado com Alexandra Reis, incluindo a indemnização paga.Numa
declaração escrita enviada à agência Lusa, Alexandra Reis disse na
segunda-feira que nunca aceitou, e que devolveria “de imediato” caso lhe
tivesse sido paga, qualquer quantia que acreditasse não estar no
“estrito cumprimento da lei” na sua saída da TAP.A
governante disse ainda que o acordo de cessação de funções “como
administradora das empresas do universo TAP” e a revogação do seu
“contrato de trabalho com a TAP S.A., ambas solicitadas pela companhia,
bem como a sua comunicação pública, foi acordado entre as equipas
jurídicas de ambas as partes, mandatadas para garantirem a adoção das
melhores práticas e o estrito cumprimento de todos os preceitos legais”.Contudo,
na informação enviada na altura à Comissão do Mercado de Valores
Mobiliários, a TAP comunicou que tinha sido Alexandra Reis a renunciar
ao cargo.Hoje, o Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu que é preciso “esclarecer todo” o
acordo celebrado entre a TAP e a secretária de Estado Alexandra Reis
para, numa segunda fase, se retirarem ou não consequências.“Deve-se
começar pelo início, ou seja, pelo esclarecimento e, depois, dado o
esclarecimento, aí se retirará ou não as consequências daquilo que foi
esclarecido”, disse.