Primeiro-ministro delega em ministro da Presidência tutela da secretaria-geral do Governo
3 de jan. de 2025, 11:30
— Lusa/AO Online
Segundo o documento, são
delegadas em Leitão Amaro, com “faculdade de subdelegação”, as
competências conferidas legalmente ao primeiro-ministro “no domínio dos
assuntos correntes da Secretaria-Geral do Governo, da gestão orçamental e
financeira da Secretaria-Geral do Governo, do apoio transversal à
atividade do Governo nas dimensões técnica, administrativa e logística,
e, ainda, do apoio setorial à atividade do Governo”.O
despacho tem data de 12 de dezembro e produz efeitos a partir desse
dia, sendo, assim, anterior à polémica em torno do salário de Hélder
Rosalino, que acabou por se mostrar indisponível para assumir o cargo de
secretário-geral.O documento estabelece
uma exceção na delegação de competências para os “atos próprios da
gestão corrente da administração da residência oficial do
primeiro-ministro”.A secretaria-geral do
Governo iniciou funções na quarta-feira, dia 1 de janeiro, com quatro
dos seis secretários-gerais adjuntos e sem Hélder Rosalino.A
equipa de secretários-gerais adjuntos é composta por Fátima Ferreira e
Filipe Pereira, secretários-gerais adjuntos da secretaria-geral da
Presidência do Conselho de Ministros, João Rolo, secretário-geral da
secretaria-geral da Economia e Mafalda Santos, auditora-chefe do
Departamento de Estudos, Prospetiva e Estratégia do Tribunal de Contas.Quanto
ao secretário-geral, que é "nomeado e exonerado livremente" pelo
primeiro-ministro, o Governo irá "proximamente designar uma outra
personalidade" para assumir o cargo, depois de o ex-administrador e
consultor do Banco de Portugal Hélder Rosalino se ter manifestado
indisponível. A nomeação de Hélder
Rosalino suscitou polémica após ter sido noticiado que o consultor teria
optado por ser remunerado pelo seu vencimento de origem no Banco de
Portugal, superior a 15 mil euros, e não de acordo com a tabela
remuneratória única da Função Pública, cujo salário seria na ordem dos
seis mil euros.Este direito de opção foi
criado através de uma alteração, feita na semana passada, ao diploma que
estabelece o estatuto remuneratório dos dirigentes superiores e
intermédios da Secretaria-Geral, aprovado em julho.O
Banco de Portugal, que tem autonomia administrativa e financeira, veio
esclarecer que não asseguraria o encargo com as remunerações de Hélder
Rosalino após o ex-administrador entrar em funções como secretário-geral
do Governo, invocando as regras do Eurosistema sobre a proibição do
financiamento monetário.Para o Governo, a
recusa do Banco de Portugal, instituição liderada por Mário Centeno, em
continuar a pagar o salário de origem "não impedia a poupança de
recursos públicos, mas criou uma complexidade indesejável".A
situação foi criticada por vários partidos políticos, com o PS e o
Chega a anunciarem que vão pedir a apreciação parlamentar do decreto
aprovado na semana passada. O BE defende a revogação do diploma, que
considera ter sido feito "à medida", e o PAN pediu ao Governo "toda a
documentação" relacionada com a nomeação. A
lei orgânica aprovada em julho prevê a concentração de serviços e a
extinção das secretarias-gerais de nove ministérios e do Centro de
Gestão da Rede Informática do Governo, através da sua fusão na
secretaria-geral do Governo, o que, segundo o Executivo, corta em 25% o
número de cargos diretivos, gerando uma poupança de cerca de 4,1 milhões
de euros por ano. Entre as atribuições
legais, a Secretaria-geral prestará apoio técnico, administrativo e
logístico ao Conselho de Ministros e aos membros do Governo, apoiar
reuniões e processos administrativos e legislativos, apoiar a adoção do
código de conduta do Governo e administrar a Residência Oficial do
primeiro-ministro e o Campus XXI, onde será instalada.