Primeiro-ministro canadiano denuncia "diplomacia coerciva" da China
14 de out. de 2020, 12:01
— Lusa/AO Online
O
chefe do Governo comentou a detenção “arbitrária” de dois canadianos na
China, bem como de outros estrangeiros, dizendo que são o resultado da
“diplomacia coerciva” que tem sido condenada pela comunidade
internacional.O primeiro-ministro
canadiano fez estes comentários quando os dois países assinalaram o 50.º
aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas, na
terça-feira, e no momento em que um ex-embaixador do Canadá na China e
um consultor se encontram detidos, desde dezembro do ano passado,
acusados de espionagem.Trudeau também
criticou a abordagem da China aos direitos humanos, lembrando as
práticas do Partido Comunista Chinês face à minoria dos muçulmanos
uigures ou perante os cidadãos de Hong Kong.A
detenção destes dois cidadãos “prejudicou as relações entre o Canadá e a
China”, disse Trudeau, durante uma conferência de imprensa.“Continuaremos
a trabalhar com os nossos aliados em todo o mundo para fazer a China
entender que a sua abordagem aos assuntos internos e externos não é
particularmente produtiva”, concluiu Trudeau.A
detenção dos dois canadianos é considerada no ocidente como uma medida
de retaliação, após a prisão no Canadá de Meng Wanzhou, diretora
financeiro da empresa chinesa de telecomunicações Huawei.Meng
foi detida em dezembro de 2018 a pedido dos Estados Unidos, que a acusa
de ter contornado as sanções americanas contra o Irão, pedindo a sua
extradição."São as ações do Canadá no caso
Meng Wanzhou que constituem um caso típico de detenção arbitrária e de
diplomacia coerciva”, respondeu hoje Zhao Lijian, porta-voz da
diplomacia chinesa.Zhao acusou o Canadá de
“hipocrisia”, censurando o Governo de Trudeau por não ter fornecido aos
advogados de Meng centenas de documentos sobre a existência de uma
potencial conspiração entre as autoridades canadianas e norte-americanas
contra a sua cliente.Lembrando que o
Canadá tem sido um "líder internacional" no estabelecimento de relações
com Pequim, desde 1970, o ministro canadiano dos Negócios Estrangeiros,
François-Philippe Champagne, salientou que Otava tem hoje um "olhar
sóbrio" sobre essas relações."Ainda
continuamos a acreditar na importância do nosso relacionamento", mas "o
uso da diplomacia coerciva está a obrigar o Canadá a reconsiderar a sua
abordagem", disse o chefe da diplomacia canadiana, num comunicado.