Primeiro-ministro britânico promete lutar contra a extrema-direita
29 de set. de 2025, 15:01
— Lusa/AO Online
"Temos a luta das nossas vidas
pela frente, temos de enfrentar o [partido de extrema-direita] Reform,
temos de vencê-los", disse Starmer à cadeia britânica BBC."Querem
dilacerar este país", acusou, considerando "racista" e "imoral" o plano
do partido de Nigel Farage de substituir a autorização de residência
permanente de migrantes não europeus por vistos a renovar regularmente.O
primeiro-ministro, que falará aos trabalhistas na terça-feira, pretende
colocar as próximas eleições gerais, marcadas para 2029, como uma
escolha entre a "renovação patriótica" que defende e a "divisão tóxica"
defendida pelo Reform.Há apenas 15 meses
no poder, o líder do governo britânico acumula reveses: a economia está a
abrandar, o desemprego atingiu o seu nível mais elevado em quatro anos,
a imigração ilegal está a bater recordes, a inflação continua a ser
mais elevada do que no resto da Europa.Ao
mesmo tempo, o Reform UK continua em subida, ultrapassando os
trabalhistas em 12 pontos percentuais numa sondagem da Ipsos publicada
hoje, ao capitalizar a rejeição da imigração por parte de alguns
britânicos.Starmer tem a mais baixa taxa
de satisfação - 13% - para um primeiro-ministro britânico desde 1977,
segundo o mesmo estudo de opinião.Nas
últimas semanas, o líder trabalhista enfrentou a demissão da sua
vice-primeira-ministra, Angela Rayner, devido a um escândalo fiscal, a
saída de vários conselheiros e a demissão de seu embaixador nos Estados
Unidos, Peter Mandelson, envolvido em ligações com o criminoso sexual e
financeiro norte-americano Jeffrey Epstein. O
arranque do congresso ficou marcado por protestos a favor do grupo
proibido pró-palestiniano Palestine Action e contra a implementação de
um bilhete de identidade digital no Reino Unido.Várias
dezenas de apoiantes do Palestine Action, na sua maioria idosos,
sentaram-se em silêncio com cartazes onde se lia "Oponho-me ao
genocídio. Apoio o Palestine Action', um grupo declarado como terrorista
em julho após atos como o vandalismo de aviões numa base militar
britânica e o bloqueio de uma empresa que fornecia armas a Israel.A
polícia expulsou estes manifestantes, que alegadamente infringiam a lei
ao apoiarem uma organização proibida, enquanto os detratores do bilhete
de identidade digital eram mais vociferantes e, por vezes, agressivos.Estes
últimos rejeitam a introdução do bilhete de identidade digital
anunciado na sexta-feira pelo primeiro-ministro Keir Starmer, que numa
primeira fase será necessário para se candidatar a emprego e, mais
tarde, para arrendar habitação.Starmer
disse que o cartão, que não será obrigatório transportar nem poderá ser
exigido de forma arbitrária, é essencial para combater a imigração
ilegal, mas os críticos veem o documento como uma interferência
excessiva do Estado.