Primeira-ministra do Japão tenta melhorar relações com China
31 de out. de 2025, 11:36
— Lusa/AO Online
“Gostaria de reduzir essas
fricções, aumentar o entendimento e a cooperação, e produzir resultados
concretos”, declarou Takaichi à margem da cimeira do Fórum de Cooperação
Económica Ásia-Pacífico (APEC), segundo declarações reproduzidas pela
televisão pública japonesa NHK.A dirigente
japonesa, a primeira mulher a chefiar o Governo do país, sublinhou que a
China é “um vizinho importante para o Japão” e que ambos têm “grandes
responsabilidades para a paz e a prosperidade regionais e
internacionais”.Apesar de reconhecer que
existem “preocupações” nas relações bilaterais, Takaichi manifestou
vontade de construir uma relação “construtiva e estável”.A
nomeação da nova primeira-ministra foi recebida com cautela por vários
países vizinhos, entre os quais a China, devido à sua posição favorável
ao revisionismo histórico e à reforma da Constituição pacifista do
Japão.Como reflexo desse desconforto, Xi
Jinping não enviou qualquer mensagem de felicitação a Takaichi após a
sua nomeação, ao contrário do que fez com os seus três antecessores,
incluindo Shigeru Ishiba, a quem sucede no cargo.Na
terça-feira, porém, o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, afirmou,
após uma conversa telefónica com o ministro dos Negócios Estrangeiros
japonês, Toshimitsu Motegi, ter “percebido sinais positivos por parte do
novo gabinete japonês”.Pequim e Tóquio
mantêm há décadas disputas territoriais no mar do Leste da China, e o
Governo chinês tem criticado reiteradamente o Japão pelo que considera
ser uma postura revisionista face às invasões perpetradas na China
durante a Segunda Guerra Mundial e nos anos que a antecederam.O
encontro entre Xi e Takaichi surge após a visita do Presidente
norte-americano, Donald Trump, ao Japão esta semana. Na quinta-feira,
Trump reuniu-se com Xi na Coreia do Sul, mas regressou aos Estados
Unidos nesse mesmo dia, estando hoje ausente da cimeira da APEC.Tóquio
e Washington acordaram esta semana reforçar as respetivas capacidades
militares para prevenir “atos agressivos” da China. Na sexta-feira
passada, Takaichi anunciou que o Japão vai acelerar o aumento das
despesas militares, com o objetivo de atingir 2% do PIB até 2027.