Primeira-ministra dinamarquesa avisa que EUA não vão assumir controlo da Gronelândia
2 de abr. de 2025, 19:58
— Lusa
"Os
Estados Unidos não vão assumir o controlo da Gronelândia. A Gronelândia
pertence aos gronelandeses. E será essa a mensagem que enviaremos
juntos nos próximos dois dias", declarou Frederiksen antes de se reunir
com os líderes do território, incluindo o novo primeiro-ministro.Jens-Frederik
Nielsen, cujo partido Demokraatit (liberal) venceu as eleições do
passado dia 11, apresentou na passada sexta-feira um executivo de
coligação que reúne todo o movimento independentista moderado e quatro
das cinco forças parlamentares, embora o Governo só seja formalmente
eleito pelos deputados no dia 07 de abril.“Precisamos
de estar juntos nestes tempos difíceis em que a Gronelândia se
encontra. E quando a Gronelândia está numa situação difícil, o mesmo
acontece com o Reino da Dinamarca e a Europa”, declarou a chefe do
Governo de Copenhaga.Frederiksen sublinhou
que o principal objetivo da sua visita, que se prolongará até
sexta-feira, é mostrar unidade face à “pressão” dos Estados Unidos “no
que diz respeito à soberania, às fronteiras e ao futuro”.A
líder dinamarquesa, que tinha aterrado pouco antes em Nuuk (capital),
deverá dar uma conferência de imprensa na quinta-feira, segundo o jornal
digital gronelandês Sermitsiaq.A visita é
precedida de polémica, devido às críticas dos líderes de dois dos
partidos da coligação governamental, que consideram que a deslocação não
deveria ter ocorrido antes de o executivo estar formalmente
constituído.Já Nielsen considerou normal
que se realizasse o mais rapidamente possível e espera um “diálogo
construtivo sobre a cooperação futura” com Copenhaga, como já tinha
declarado previamente.Mette Frederiksen
chega à Gronelândia quase uma semana depois da polémica viagem à ilha do
vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que visitou a base
norte-americana de Pituffik (noroeste) com a sua mulher.O
plano inicial era que Usha Vance viajasse para Nuuk e Sisimiut, para
participar numa popular corrida de trenós puxados por cães, mas os
protestos das autoridades do território e da Dinamarca provocaram uma
mudança de programa da viagem, que ocorreu no seguimento de o líder da
Casa Branca, Donald Trump, anunciar o seu desejo de tomar o controlo da
ilha, autónoma da Dinamarca.