Primeira juíza negra indicada para Supremo dos EUA promete defender a democracia
22 de mar. de 2022, 12:56
— Lusa/AO Online
"Se
eu for confirmada, comprometo-me com vocês que trabalharei
produtivamente para apoiar e defender a Constituição e o grande
experimento da democracia americana que perdurou nos últimos 246 anos",
disse a magistrada perante o comité da Justiça do Senado dos Estados
Unidos da América (EUA).Sem enveredar pela
dimensão histórica da sua nomeação, a juíza de 51 anos insistiu na sua
"independência" e "neutralidade", tendo ainda prestado homenagem a todos
aqueles que a ajudaram a chegar a este patamar, como os seus pais."Depois
de terem vivido pessoalmente a segregação racial, (...) os meus pais
ensinaram-me que, ao contrário das muitas barreiras que eles tiveram que
enfrentar enquanto cresciam, o meu caminho era mais claro, de modo que
se eu trabalhasse duro e acreditasse em mim mesmo, na América eu poderia
fazer qualquer coisa ou ser qualquer coisa que eu quisesse ser",
contou."Sou juíza há quase uma década e
levo muito a sério essa responsabilidade e o meu dever de ser
independente. Decido casos a partir de uma postura neutra. Avalio os
factos, interpreto e aplico a lei aos factos do caso diante de mim, sem
medo ou favor, de acordo com o meu juramento judicial", frisou Ketanji
Brown Jackson.A magistrada fez este
pronunciamento no final de uma audiência que durou quase cinco horas, e
na qual ouviu 22 membros do comité da Justiça do Senado: 11 democratas e
11 republicanos.Os democratas comemoraram
a natureza histórica da indicação de Ketanji Brown Jackson e elogiaram o
seu histórico e experiência única."Não é
fácil ser o primeiro. Muitas vezes é preciso ser o melhor e, de alguma
forma, o mais corajoso", reconheceu o senador democrata Dick Durbin no
início da audiência, que elogiou a carreira da magistrada e referiu-se
ao facto de poder vir a ser a primeira mulher negra no cargo.A
experiência de defensora pública de Ketanji também foi sublinhada pelo
senador Richard Blumenthal, frisando que isso a ajudou a “entender o
sistema de justiça norte-americano de forma única, através dos olhos de
pessoas que não podiam pagar um advogado”.Por
outro lado, os republicanos tentaram vincular Jackson a grupos de
esquerda, como "Demand Justice", que defende a nomeação de juízes
progressistas, e deixaram claro que iriam continuar a retratar Ketanji
Brown Jackson como "suave no crime", como fizeram ao longo dos últimos
dias."Parte do esforço democrata para
abolir a polícia é nomear juízes que consistentemente ficam do lado de
criminosos violentos, libertam criminosos violentos, se recusam a fazer
cumprir a lei e isso resulta em colocar civis inocentes em risco", disse
o senador republicano Ted Cruz.Apesar dos ataques e insinuações, os republicanos prometeram ser "respeitosos" no processo de audição que se segue.A
sessão de perguntas e respostas "não será um circo político" e "não
tratará da questão racial, mas de questões substantivas", prometeu Cruz.Jackson
foi nomeada pelo Presidente dos EUA, Joe Biden, que prometeu durante a
campanha eleitoral de 2020 que se ganhasse nomearia uma mulher
afro-americana para o Supremo, que nunca teve nenhuma nos seus 232 anos
de história.